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domingo, 1 de maio de 2022

Essencialismo, anti-essencialismo e arte


Essencialismo é a teoria metafísica segundo a qual há condições individualmente necessárias e conjuntamente suficientes para que algo seja um exemplo de um determinado tipo de coisas. O conjunto dessas condições necessárias e suficientes é tradicionalmente chamado a essência geral de um tipo de coisas. A essência, portanto, não é alguma coisa etérea que habita as coisas, como algumas vezes não-filósofos estão inclinados a pensar. 

Uma consequência dessa teoria metafísica é uma teoria semântica sobre os conceitos: o conceito de um tipo de coisas que possui uma essência pode ser definido em termos de condições individualmente necessárias e conjuntamente suficientes para que ele se aplique verdadeiramente a alguma coisa. Portanto, essa definição é a expressão linguística da essência desse tipo de coisas. 

Por exemplo: suponha que a definição tradicional de conhecimento esteja correta e que conhecimento, portanto, seja uma crença verdadeira justificada.[1] Nesse caso, essa definição apresenta as condições individualmente necessárias, a saber, ser uma crença, ser verdadeira e ser justificada, e conjuntamente suficientes para que algo seja conhecimento; apresenta a essência do conhecimento.

Na linguagem ordinária, há um uso do adjetivo "essencial" aparentado com o uso filosófico, porém com uma diferença importante. Uma propriedade é essencial em relação a um certo tipo de coisas quando possuir essa propriedade é uma condição necessária para ser um exemplo de uma coisa desse tipo. Mas nem sempre essa condição necessária é também suficiente. Por exemplo: ter um assento é uma propriedade essencial das cadeiras, ou seja, ter assento é uma condição necessária, embora não suficiente, para algo ser uma cadeira. Uma outra condição necessária (essencial, no sentido ordinário) mas não suficiente para que algo seja uma cadeira, é ter um encosto ou espaldar. Mesmo a conjunção dessas duas condições não é suficiente para algo ser uma cadeira. Por isso, no sentido filosófico tradicional de "essência", a conjunção dessas duas condições necessárias não constitui a essência das cadeiras, pelo simples fato que coisas que não são cadeiras podem muito bem satisfazer essas condições.

Esse exemplo das cadeiras é prefeito para ilustrar o seguinte ponto: negar que cadeiras tenham essência (no sentido filosófico tradicional), isto é, ser anti-essencialista em relação às cadeiras, é compatível com admitir que há condições necessárias para que algo seja uma cadeira. Portanto, em um sentido de "anti-essencialista", você pode ser anti-essencialista em relação a um certo tipo de coisas e admitir que há condições necessárias para que algo seja um exemplo de uma coisa desse tipo. 

Penso que esse é exatamente o caso de Wittgenstein no que respeita à sua idéia de conceito de semelhanças de família. Tais conceitos não são definíveis em termos de condições necessárias e suficientes. Mas, o que eu defendo é que, para Wittgenstein, isso é compatível com haver condições necessárias para a sua aplicação. Wittgenstein introduz a idéia de conceitos de semelhanças de família por meio do exemplo do conceito de jogo. Esse conceito não é aplicado com base no conhecimento de condições necessárias e suficientes, mas com base nas semelhanças entre seus exemplos. Tais semelhanças não são propriedades que todos os exemplos possuem, mas são análogas às semelhanças fenotípicas entre os membros de uma família biológica. Os membros de uma família biológica não possuem todos as mesmas propriedades fenotípicas, mas se dividem em subgrupos de possuem propriedades comuns e esses subgrupos possuem zonas de intersecção com outros subgrupos. De forma análoga, os critérios de aplicação dos conceitos de semelhanças de família são semelhanças desse tipo entre os exemplos. Mas, e esse é o ponto importante, não apenas isso. Os conceitos de semelhança de família também são aplicados com base em condições necessárias. Voltando ao exemplo dos jogos, nada é um jogo se não for (a) uma atividade, (b) se não for governado por regras, (c) se não for inventado, etc. Ao aplicarmos o conceito de jogo a um caso particular, além de levarmos em conta essas condições necessárias, satisfeitas por tudo que é um jogo, levamos em conta as semelhanças entre o caso em questão e os demais exemplos de jogos, especialmente os exemplos paradigmáticos. Isso é assim porque aquelas condições necessárias, comuns a todos os jogos, não são conjuntamente suficientes para que algo seja um jogo. Creio que é isso que Wittgenstein quer dizer quando diz que os jogos não têm nada em comum: eles não têm nada em comum que permita definir "jogo" em termos de condições necessárias & suficientes.[2]

Mas essa última afirmação precisa ser qualificada para que fique claro em que sentido Wittgenstein é um anti-essencialista  e em que sentido ele não é. A afirmação categórica que os membros de um conjunto, tal como o conjunto dos jogos, não possuem propriedades que todos e apenas os jogos possuem somente poderia ser justificada pelo exame de todos os jogos. Certamente Wittgenstein não fez isso quando escreveu as Investigações Filosóficas. Portanto, a caridade interpretativa demanda que não atribuamos essa afirmação a ele, se houver uma outra maneira de interpretá-lo. E há. O ponto de Wittgenstein era: a despeito de haver uma essência dos jogos, não aprendemos esse conceito nem o aplicamos com base no conhecimento (mesmo que implícito) dessa essência. Wittgenstein não era um essencialista com sinal negativo. Se fosse, estaria sustentando uma tese metafísica negativa. Em vez disso, ele argumentava contra o essencialismo semântico: a tese que nossos conceitos são aplicado com base no conhecimento de condições necessárias e suficientes. Não dispomos de um tal conhecimento, no caso dos conceitos de semelhança de família, como o conceito de jogo; não sabemos definir "jogo" em termos de condições necessárias e suficientes. Temos apenas o conhecimento de condições necessárias, mas não suficientes, e das semelhanças entre os jogos.

A importância filosófica dos conceitos de semelhança de família vem da alegação que conceitos tradicionalmente importantes para a filosofia, tal como os conceitos de verdade, conhecimento, bem, linguagem, etc., são conceitos de semelhança de família e, portanto, não possuem uma definição em termos de condições necessárias e suficientes, como os essencialistas sustentam.

Essa considerações são importantes para uma discussão que se deu no século passado sobre a definição de "obra de arte". Weitz[3], ao atribuir a Wittgenstein um anti-essencialismo, chega ao ponto de dizer que, para ele, não há nenhuma condição necessária para algo ser uma obre de arte. Um exemplo que ele usa para ilustrar seu ponto é o de troncos secos de madeira que encontramos à beira de rios, lagos e mares (driftwoods, em inglês). Ele afirma que alguém poderia chamar isso de "obra de arte", devido às suas qualidades estéticas. E isso, supostamente, mostraria que a propriedades de ser um artefato, de ser produzido por alguém, não é uma condição necessária para algo ser uma obra de arte, pois aqueles troncos certamente não a satisfazem. 

Todavia, ao dizer isso, Weitz negligencia uma distinção que ele próprio formula: a distinção entre o uso descritivo e o uso avaliativo de "obra de arte". No seu uso avaliativo, quando dizemos que algo é uma obra de arte, estamos fazendo um elogio estético a essa coisa, ressaltando suas qualidades estéticas excelentes. Nesse sentido da expressão, não pode haver uma obra de arte ruim, de má qualidade. Mas quando se discute se as obras de arte possuem ou não uma essência, o que está em questão é se o que chamamos de obra de arte no sentido descritivo possui uma essência. No sentido descritivo, algo pode ser uma obra de arte ruim, de má qualidade (seja quais forem os critérios para isso), pois para ser obra de arte, nesse sentido, embora seja necessário ser um artefato produzido por alguém com finalidades estéticas, não é necessário que seja algo que atinge esse objetivo de forma excelente. Alguém pode negar que certos tipos de música, por exemplo, sejam obras de arte de qualidade excelente. Mas negar que sejam obras de arte em absoluto somente pode fazer sentido se "obra de arte" estiver sendo usada no sentido avaliativo. Por mais ridículas que sejam as rimas que alguém faz ao tentar levar a cabo suas aspirações poéticas, o simples fato de avaliá-las como ridículas já denuncia que as estamos avaliando como obras de arte, ou seja, como um artefato produzido com finalidades estéticas. 

_________

[1] Edmund Gettier apresentou dois contra-exemplos dessa definição, dois casos que satisfazem as condições especificadas mas não são conhecimento.

[2] Por outro lado, há condições suficientes mas não necessárias para que algo seja um jogo. Por exemplo: ser uma atividade regrada inventada em que dois adversários, ou dois times de adversários, procuram marcar mais pontos com uma bola dentro de um tempo limitado. Vários atividades satisfazem essas condições e, por isso, são jogos. Mas muitos jogos não satisfazem ao menos algumas dessas condições. O tênis, por exemplo, satisfaz todas as condições, exceto a última: uma partida de tênis não tem um tempo limitado.

[3] Weitz, Morris (1956) “The Role of Theory in Aesthetics,” Journal of Aesthetics and Art Criticism, 15, pp. 27–35.





quarta-feira, 7 de agosto de 2019

"Não pense, mas olhe!"


Nas Investigações Filosóficas, em meio à apresentação do conceito de semelhança de família por meio dos exemplos de jogos , Wittgenstein diz: "Não pense, mas olhe!" Essa frase famosa está entre uma das mais mal compreendidas daquele livro. Há três erros mais comuns na interpretação dessa frase. O primeiro consiste em atribuir a Wittgenstein a tese que, se queremos definir um termo examinando seus exemplos, devemos examinar apenas as suas propriedades evidentes, que podemos perceber apenas olhando. O segundo consiste em atribuir a Wittgenstein uma espécie de anti-intelectualismo, como se pudéssemos ter clareza sobre um significado de um termo apenas olhando para os exemplos aos quais o termo se aplica verdadeiramente, sem pensar. O terceiro consiste em atribuir a Wittgenstein a tese que os membros de uma extensão de um conceito de semelhança de família não possuem condições necessárias ou condições suficientes para pertencerem a essa extensão. Mas antes de ver por que esses são tremendos erros de interpretação, baseados em uma extrema falta de caridade interpretativa, vejamos o que Wittgenstein estava tentando explicar.

Nas secções 65-78, Wittgenstein está tentando mostrar que nem todos os conceitos são definíveis em termos de condições necessárias e suficientes que constituiriam uma essência geral. Mas ele não está fazendo isso por meio de exemplos costumeiros de conceitos vagos, como o conceito de calvice ou de pilha. O tipo de indeterminação conceitual para a qual que ele está chamando atenção é explicado por meio de uma analogia com as semelhanças físicas visíveis que os membro de uma família têm uns com os outros.

Alguns membros de uma família são semelhantes porque têm os olhos e a boca semelhantes, outros porque têm o nariz e boca semelhantes, outros porque têm os olhos e o nariz semelhantes, outros porque têm a boca e o cabelo semelhantes, etc. Em geral os membros de uma família não possuem todas as características físicas visíveis em comum. Mas eles se assemelham da forma recém descrita. Algo análogo acontece com os membros da extensão de certos conceitos, tal como conceito de jogo. Quando aprendemos o conceito de jogo, não aprendemos primeiramente uma definição em termos de condições necessárias e suficientes, as características comuns a todos os jogos e apenas a jogos. Aprendemos o conceito por meio de alguns exemplos paradigmáticos de jogos. Depois disso, reconhecemos outros exemplos de jogos por meio da sua "semelhança de família" com os já conhecidos. Mas Wittgenstein não está negando dogmaticamente que jogos não possuem uma essência expressável em uma definição em termos de condições necessárias e suficientes. Ele está tentando mostrar que a posse desse conceito não depende do conhecimento de uma tal definição ou do reconhecimento de que os membros da extensão do conceito satisfazem um conjunto de condições necessárias e suficientes. Essa posse depende apenas do conhecimento de exemplos paradigmáticos e do reconhecimento da semelhança entre esses exemplos e os demais casos.

Wittgenstein explica esse tipo de indeterminação conceitual também por meio de uma outra analogia: a unidade da extensão do conceito de jogo é constituída como as fibras de uma corda constituem a resistência da corda, não porque todas as fibras percorram todo o comprimento da corda, mas porque as primeiras se entrelaçam firmemente com as segundas, que se entrelaçam firmemente  com as terceiras, e assim por diante, até as últimas fibras. As características que tornam os jogos semelhantes são como as fibras das cordas.

É quando Wittgenstein está examinando os exemplos de jogos que ele escreve a famosa frase. Ele convida o leitor a examinar os exemplos de jogos para verificar por si mesmo se eles possuem um conjunto de características que todos os jogos possuem e apenas jogos possuem. Ele então adverte: "Não pense, mas olhe!" Nesse contexto, essa advertência serve para freiar uma certas tendências que temos em filosofia: a tendência a negligenciar o exame dos exemplos ou, quando os examinamos, a tendência a manter uma dieta unilateral de exemplos, onde aqueles que poderiam dificultar a defesa de uma certa tese são negligenciados. Por exemplo: a maioria daqueles que tentam definir jogos em termos de condições necessárias e suficientes, pensa em jogos em termos de uma atividade onde há adversários, onde um vence ou pode vencer e o outro perde ou pode perder. Estes negligenciam jogos como paciência, por exemplo, que se joga sozinho e não há nem ganhador, nem perdedor. Essa tendência é o que Wittgenstein tem em mente quando diz "Não pense". Ele quer dizer: não selecione exemplos com base em alguma definição prévia implícita de "jogo". Essa advertência, portanto, nada tem a ver com qualquer tipo de anti-intelectualismo. "Olhe", por sua vez, significa algo como: examine todos os tipos de exemplos.

A analogia com as características físicas visíveis dos membros de uma família não se baseia na negação de que os membros de uma família têm uma característica física comum que é necessária e suficiente para pertencer a essa família. Se se trata de uma família biológica, é claro que todos têm um ancestral em comum. E é claro que essa não é uma característica evidente, que se pode observar olhando os membros da família. Mas Wittgenstein nunca quis defender a tese de que as semelhanças entre os membros da extensão de um conceito de semelhança de família deveria ser constituída de características evidentes. Elas sequer necessitam ser intrínsecas e podem muito bem ser propriedades relacionais.

Por fim, Wittgenstein nunca quis negar que haja condições necessárias ou condições suficientes para que algo pertença à extensão de um conceito de semelhança de família. A diferença é sutil, mas importante. Wittgenstein questionava se havia um conjunto de condições individualmente necessárias & conjuntamente suficientes para que algo pertença à extensão de um conceito de semelhança de família. Uma condição necessária para ser um jogo é ser uma atividade, por exemplo. Mas essa não é uma condição suficiente. Uma condição suficiente para ser um jogo é ser xadrez, por exemplo. Mas essa não é uma condição necessária.


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Wittgenstein e o paradoxo de Moore

"Chove, mas creio que não chove".
Perece não haver sombra de dúvida que, se um determinado estado de coisas é possível, eu poderia enunciar esse estado de coisas sem absurdidade. É possível que esteja chovendo e que João não acredite que esteja chovendo. Portanto, eu poderia enunciar esse fato conjuntivo dizendo "Está chovendo, mas João acredita que não está chovendo". Parece não haver sobra de dúvida que é possível que esteja chovendo e que eu creia que não está chovendo. Posso muito bem estar enganado sobre isso. Mas, sendo isso possível, pela generalização anterior, a saber, se um determinado estado de coisas é possível, eu poderia enunciar esse estado de coisas sem absurdidade, eu poderia enunciar que está chovendo, mas acredito que não está chovendo. Todavia, essa conclusão parece falsa. É ela falsa? Por que? A frase "Chove, mas acredito que não chove" é significativa? Se não, por que? Se sim, então por que parece absurdo enunciá-la? As respostas de Moore e sua justificação para elas constituem o que se costuma chamar de paradoxo de Moore.

Segundo Moore, a frase "Chove, mas acredito que não chove" (uma das assim chamadas frases mooreanas[1]) é significativa, mas sua asserção é absurda. A frase "Chove" descreve o estado da atmosfera no local onde a asserimos. A frase "Acredito que não chove" descreve o estado da minha mente, que ela contém uma crença sobre o estado da atmosfera no local onde eu a enuncio, a saber: a crença de que não chove. Não há, segundo Moore, nenhuma relação lógica entre as descrições dos dois estados de coisas, ou seja, elas nem se contradizem, nem uma implica a outra. Portanto, se asserir a frase "Chove, mas não acredito que chove" é um absurdo, não deve ser por razões lógicas. O mesmo vale para frases do tipo "Não chove, mas acredito que chove".

O paradoxo de Moore é este: frases que parecem perfeitamente contraditórias, todavia, pelas razões aduzidas por Moore, não apenas têm sentido, mas podem ser verdadeiras, embora sua asserção seja absurda. Segundo Moore, não é contraditório dizer frases do tipo "Chove, mas acredito que não chove" ou "Não chove, mas acredito que chove". A absurdidade da enunciação dessas frases deveria ser encontrada não na sua lógica ou semântica, mas em algo que hoje chamamos de pragmática. Segundo Moore, devemos distinguir entre asserir uma certa proposição e dar a entender (to imply) essa proposição. Quando asserimos que chove, não estamos asserindo que acreditamos que chove, mas estamos dando a entender que acreditamos que chove ao asserirmos que chove. Por isso, seria absurdo asserirmos que chove e que acreditamos que não chove. A asserção da conjunção "Chove, mas acredito que não chove", embora não seja uma conjunção contraditória, seria absurda porque a asserção da segunda frase contradiz o que é dado a entender pela a asserção da primeira.

Wittgenstein não concorda com essa solução do paradoxo. Ele o formula de uma maneira diferente da maneira de Moore. Na sua formulação do paradoxo, Moore pressupõe que a frase "Acredito que chove" não é usada como a frase "Chove". Quando acrescento "Acredito que" à frente de "Chove", necessariamente mudo de assunto, do estado da atmosfera para o estado da minha mente, dois estados que não possuem nenhuma conexão necessária. Mas Wittgenstein chama atenção para o fato de que aprendemos a usar a expressão "Acredito que" em contextos em que frases da forma "Acredito que p" é usada como a frase "p", ou seja, para falar do estado da atmosfera, quando "p"="Chove". Nesse caso, "Acredito que chove" e "Chove" seriam equivalentes e, por isso, seria contraditório dizer "Chove, mas acredito que não chove". Todavia, Wittgenstein observa que, embora na primeira pessoa do presente o verbo "acreditar" seja normalmente usado dessa forma, nos demais tempos verbais isso não é o caso. Não podemos dizer que choveu dizendo "Acreditei que chove", por exemplo. Tampouco "Acredito que chove" é equivalente a "Chove" quando usamos a primeira frase para fazer a suposição "Suponha que acredito que chove". Para Wittgenstein é isso que parece paradoxal, não o fato de que não podemos asserir sem absurdidade algo que bem poderia ser o caso. Se em "Suponha que acredito que chove" "Acredito que chove" não equivale a "Chove", como podem essas duas frases serem equivalentes em outros contextos?

Mas qual é o argumento de Wittgenstein para a afirmação de que "Acredito que chove" e "Chove" são normalmente equivalentes? Se "Acredito que chove" fosse um relato baseado no que eu observo, então seria baseado no que observo em meu comportamento, verbal e não verbal. Se fosse um relato baseado no que observo em meu comportamento, verbal e não-verbal, então faria sentido dizer "Parece que acredito que chove". Mas, na maior parte dos casos em que dizemos "Acredito que chove", não faz sentido dizer "Parece que acredito que chove". Isso é assim porque nas circunstâncias em que dizer "Parece que acredito que chove" não faz sentido, "Acredito que chove" é uma maneira de se asserir que chove. E é nessas circunstâncias que aprendemos a dizer frases da forma "Acredito que p".

De fato em alguns casos podemos tomar uma perspectiva em que pensamos em nós mesmos como pensamos em outras pessoas, observando nosso comportamento, verbal e não-verbal, e tirando conclusões dessa observação. Nesses casos faz sentido dizer frases da forma "Parece que acredito que p". Mas esses usos de "Acredito que p", segundo Wittgenstein, são parasitários dos usos em que frases dessa forma equivalem a "p". Para concluir que parece que acredito que p, devo saber que "Acredito que p" é usado como um meio de expressar meu juízo de que p, e não para fazer um relato de uma observação de mim mesmo. Se uma pessoa me perguntasse, por exemplo, se há leite na geladeira, e eu dissesse "Acredito que sim", seria sem sentido que essa pessoa dissesse "Eu não perguntei o que você acredita, perguntei algo sobre a geladeira". Ela perguntou algo sobre a geladeira e eu expressei meu juízo sobre isso, tal como expressaria se disse apenas "Sim". A única diferença que, nesse caso, pode haver entre "Acredito que sim" e "Sim" é no grau de certeza. Eu só posso tirar conclusões da observação do meu comportamento e dizer que parece que acredito que p, se já tiver aprendido a usar "Acredito que p" da forma recém descrita, ou seja, para expressar minha crença de que p, tal qual expresso quando digo que p.

Há quem creia que o paradoxo de Moore não é semântico ou lógico, mas epistêmico. Nessa formulação, o problema seria que haveria fatos contingentes que eu não poderia saber, a saber, os fatos descritos pelas frases mooreanas. Mas, apresentado dessa forma, o paradoxo parece de fácil resolução. Eu não posso saber que chove e que eu acredito que não chove, por exemplo, porque saber que chove implica crer que chove, o que contradiz a segunda frase que eu deveria saber ser verdadeira. Portanto, a impossibilidade aqui não é epistêmica, mas lógica. Ela pode ser colocada assim: as frases mooreanas, se verdadeiras, descrevem o fato de que estou enganado e, por isso, saber que elas são verdadeiras seria saber que estou enganado. Mas é simplesmente sem sentido dizer "Sei que estou enganado". Mais uma vez, a impossibilidade em questão é devida à lógica dos termos epistêmicos. Frases da forma "S está enganado em crer que p" implicam "S não sabe que S está enganado em crer que p". Na medida em que descubro meu engano, deixo de estar enganado.

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[1] Moore, na verdade, formula seus exemplos colocando a negação em uma posição diferente. Em vez de seus exemplos terem a forma "p, mas creio que não-p, elas têm a forma "p, mas não creio que p". Há uma diferença entre não crer em uma proposição e crer que essa proposição é falsa. "Não creio que p" não implica "Creio que não-p". É possível que eu não creia nem que p, nem que não-p. Isso ocorre quando suspendo o juízo. Há quem acredite que essa diferença na formulação das frases mooreanas tem consequências importantes para a compreensão e solução do paradoxo de Moore. Mas não vou abordar esse assunto aqui.


sábado, 8 de abril de 2017

VI Workshop Wittgenstein: Cultura e Linguagem

Wittgenstein e seus alunos do ensino fundamental


Programação

10 a 12 de agosto de 2017
Universidade Estadual de Londrina – Centro de Letras e Ciências Humanas
Sala de Eventos do CLCH

Site oficial do evento.

10 de agosto de 2017 

09h:30min Sessão de comunicações

9h:30min – Rodrigo Lima de Oliveira
Apontamentos sobre o conceito de jogos de linguagem em Wittgenstein 

10:00h – Marcelo Ferreira Ribas
Autonomia do sujeito e heteronomia do direito a partir da ética do segundo Wittgenstein 

10h:30min – Ana Claudia Arcanjo
É possível pensar uma espiritualidade não religiosa, como fundamento da ética, na primeira fase do pensamento de Wittgenstein?

11:00h – Marco Aurélio Gobatto
Percepção e revelação de aspectos: uma chave para a compreensão da arte no segundo Wittgenstein

14:00h – Abertura oficial Conferência de Abertura Prof. Dr. Nuno Venturinha (Universidade Nova de Lisboa)
Conhecimento: entre ciência e cultura

15h30min – Conferência Prof. Dr. Alexandre Noronha Machado (UFPR)
A normatividade do significado

16h30min – Coffee Break 17:00h – Conferência Prof. Dr. Léo Peruzzo Júnior (PUCPR)
Cognitivismo pragmático e metaética em Wittgenstein

18:00h – Intervalo 19h30min. Conferência Prof. Dr. Bortollo Vale (PUCPR) Wittgenstein: entre compreender e sentir

20h30min. Conferência Prof. Dr. Darlei Dall’Agnoll (UFSC)
Sobre a gramática de ‘sabedoria’

11 de agosto de 2017 

09h30min: Sessão de comunicações

9h:30min – Maria José Guerra
Questões sobre os reflexos dos fundamentos lógicos e das investigações de Wittgenstein nos modelos linguísticos

10:00h – Jeferson Takeo Padoan Seki
O conceito de formas de vida na modelagem matemática 

10h30min – Camila Fogaça de Oliveira
Uso da modelagem matemática na educação superior: um olhar para a forma de vida de egressos de cursos de tecnologia 

11:00h – Bárbara Nivalda Palharini
Formação de conceitos e modelagem matemática: contribuições da filosofia da linguagem de Wittgenstein

14:00h – Conferência Prof. Dr. Horácio Lujan Martinez (PUCPR)
Uma leitura política do conceito de “persuasão” no Da Certeza

15:00h – Conferência Profa. Dra. Janyne Sattler (UFSM)
Wittgenstein, Dostoiévski e a vida – a despeito da lógica

16h00m – Coffee Break

16h30min – Conferência Prof. Dr. Juliano Santos do Carmo (UFPel)
A Lógica dos Raciocínios Hipotéticos: Experimentos de Pensamento e Intuition Pumps.

17h30min – Conferência Profa. Dra. Mirian Donat
Estados subjetivos e conhecimento 

18h30min – Conferência Prof. Dr. Rogério Fabianne Saucedo Corrêa (UFPel)
O uso apropriativo de pejorativos



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Wittgenstein estava certo? (por Paul Horwich)

Paul Horwich

O feito singular do controverso filósofo do início do século XX, Ludwig Wittgenstein, foi ter discernido a verdadeira natureza da filosofia ocidental – o que há de especial nos seus problemas, de onde eles vem, como eles deveriam ou não deveriam ser tratados e o que se pode e o que não se pode obter digladiando-se com eles. As respostas únicas e perspicazes a essas meta-questões é o que dá ao seu tratamento de questões específicas nessa disciplina – a respeito da linguagem, experiência, conhecimento, matemática, arte e religião entre outras – um poder de iluminação que não pode ser encontrado no trabalho de outros.

Deve-se admitir que poucos concordariam com essa avaliação idílica – certamente não muitos filósofos profissionais. Aparte um círculo pequeno e ignorado de apoiadores comprometidos, a opinião comum hoje em dia é que esta forma de escrever é auto-indulgentemente obscura e que por trás dos slogans contagiantes há pouco valor intelectual. Mas essa rejeição disfarça o que bem claramente é a real causa da impopularidade de Wittgenstein dentro dos departamentos de filosofia: a saber, sua completa rejeição da disciplina tal como ela é tradicionalmente e atualmente praticada; sua insistência em que ela não pode nos dar a espécie de conhecimento geralmente considerado como sua razão de ser.

Wittgenstein afirma que não há nenhum reino de fenômenos cujo estudo seja a ocupação específica de um filósofo, e sobre os quais ele ou ela deveria elaborar profundas teorias a priori e sofisticados argumentos que as apoiam. Não há nenhuma impressionante descoberta a ser feita sobre os fatos não aberta aos métodos da ciência, mas mesmo assim acessível “da poltrona” através de alguma mistura de intuição, razão pura e análise conceitual. De fato, toda a idéia de uma disciplina que poderia obter tais resultados é baseada em confusão e pensamentos desejosos.

Essa atitude está em total oposição à visão tradicional, que continua a prevalecer. A filosofia é respeitada, até mesmo exaltada, por sua promessa de fornecer percepções fundamentais sobre a condição humana e o caráter último do universo, levando a conclusões vitais sobre como devemos arranjar nossas vidas. É tomado como certo que há um profundo entendimento a ser obtido sobre a natureza da consciência, de como o conhecimento do mundo exterior é possível, sobre se nossas decisões podem ser verdadeiramente livres, sobre a estrutura de qualquer sociedade justa, e assim por diante – e que o trabalho da filosofia é fornecer tal entendimento. Não é por isso que somos tão fascinados por ela?

Se é por isso, então estamos ludibriados e fadados a nos desapontarmos, diz Wittgenstein, pois estes são meros pseudo-problemas, os infames produtos de ilusões linguísticas e pensamento confuso. Portanto, deveria ser inteiramente não surpreendente que a “filosofia”, ao almejar resolvê-los, tenha sido marcada por controvérsia perene e falta de progresso decisivo – por um fracasso embaraçoso, depois de mais de 2000 anos, para resolver qualquer de suas questões centrais. Por conseguinte, a teorização filosófica tradicional deve dar lugar a uma árdua identificação de suas tentadoras, mas desorientadas, pressuposições e a um entendimento de como nós primeiramente chegamos a considera-las como legítimas. Mas nesse caso, ele pergunta: “De onde [nossa] investigação obtém sua importância, dado que ela parece apenas destruir tudo que é interessante, isto é, tudo que é grande e importante? (Por assim dizer, todas as construções, deixando para trás apenas pedaços de pedras e escombros)”. E ele responde: “O que estamos destruindo nada mais são do que castelos de cartas e estamos clarificando o fundamento da linguagem sobre os quais eles repousavam”.

Dado esse extremo pessimismo sobre o potencial da filosofia – talvez equivalente à negação de que exista uma tal disciplina – é dificilmente surpreendente que “Wittgenstein” seja pronunciado com desprezo na maior parte dos círculos filosóficos. Pois quem gosta de ser informado de que o trabalho de sua vida é confuso e sem sentido? Desse modo, até mesmo Bertrand Russell, seu primeiro professor e apoiador entusiasta, foi eventualmente levado a reclamar de modo irritadiço que Wittgenstein parecia ter “cansado do pensamento sério e inventado uma doutrina que tornaria essa atividade desnecessária.”

Mas que doutrina notória é essa e ela pode ser defendida? Nós a podemos resumir a quatro afirmações correlacionadas:

- A primeira é que a filosofia tradicional é cientificista: seus objetivos primários, que são chegar a princípios simples e gerais, descobrir explicações profundas e corrigir opiniões ingênuas, são tomados das ciências. E isso é indubitavelmente o caso.

- A segunda é que o caráter não-empírico (“poltrona”) da investigação filosófica – seu foco na verdade conceitual – está em tensão com seus objetivos. Isso é assim porque nossos conceitos exibem uma complexidade e variabilidade altamente resistentes a teorias. Eles evoluíram não por causa da ciência e seus objetivos, mas antes para dar conta das contingências interativas da nossa natureza, nossa cultura, nosso ambiente, nossas necessidades comunicacionais e nossos outros propósitos. Como consequência disso, os comprometimentos que definem os conceitos individuais raramente são simples ou determinados, e diferem dramaticamente de um conceito para outro. Ademais, não é possível (como o é em domínios empíricos) acomodar complexidade superficial por meio de princípios simples em um nível mais básico (p.ex. microscópico).

- A terceira afirmação principal da metafilosofia de Wittgenstein – uma consequência imediata das duas primeiras – é que a filosofia tradicional é necessariamente infestada de excessiva simplificação; analogias são inflacionadas de modo não razoável; exceções a regularidades simples são erroneamente rejeitadas.

- Portanto – a quarta afirmação – uma abordagem digna da disciplina deve evitar a construção de teorias e ser, em vez disso, meramente “terapêutica”, confinada a expor as suposições irracionais sobre as quais investigações com pretensões teóricas estão baseadas e as conclusões irracionais às quais elas levam.

Considere, por exemplo, a questão paradigmaticamente filosófica “O que é verdade?”. Essa provoca perplexidade, pois, por um lado, ela demanda uma resposta da forma “Verdade é tal e tal coisa”, mas, por outro lado, a despeito de séculos de procura, nenhuma resposta aceitável dessa forma jamais foi encontrada. Já tentamos a verdade como “correspondência com os fatos”, “provabilidade”, como “utilidade prática” e como “consenso estável”; mas todas se mostraram defeituosas de um jeito ou de outro – ou circular, ou sujeita a contra-exemplos. Reações a este impasse incluíram uma variedade de propostas teóricas. Alguns filósofos foram levados a negar que haja algo como uma verdade absoluta. Alguns sustentaram (insistindo em algumas das definições acima) que embora a verdade exista, ela carece de certos aspectos que ordinariamente são atribuídos a ela – por exemplo, que a verdade algumas vezes pode ser impossível de descobrir. Alguns inferiram que a verdade é intrinsecamente paradoxal e essencialmente incompreensível. E outros persistiram na tentativa de elaborar uma definição que se ajuste a todos os dados intuitivos.

Mas, da perspectiva de Wittgenstein, cada uma dessas três primeiras estratégias atropela nossas convicções fundamentais sobre a verdade, e a quarta tem muito pouca probabilidade de ser bem sucedida. Em vez disso, deveríamos começar ele pensa, por reconhecer (como mencionado acima) que nossos vários conceitos desempenham diferentes papéis em nossa economia cognitiva e (respectivamente) são governados por diferentes princípios de espécies diferentes. Portanto, sempre foi um erro extrapolar do fato que conceitos empíricos, tais como vermelho, ou magnético, ou vivo, representam propriedades com naturezas subjacentes especificáveis para a pressuposição de que a noção de verdade deve representar uma tal propriedade também.

O pluralismo conceitual de Wittgenstein nos coloca em posição de reconhecer a função idiossincrática dessa noção, e de inferir que a própria verdade não será redutível a nada mais básico. Mais especificamente, podemos ver que a função do conceito na nossa economia cognitiva é meramente para servir como instrumento de generalização. Ele nos permite dizer coisas como “As últimas palavras de Einstein eram verdadeiras” e não ficar presos a “Se as últimas palavras de Einstein foram que E=mc2, então E=mc2; e se suas últimas palavras foram que armas nucleares deveriam ser banidas, então armas nucleares deveriam ser banidas; ...e assim por diante”, que tem a desvantagem de ser infinitamente longa! De modo similar, podemos usá-lo para dizer: “Deveríamos querer que nossas crenças sejam verdadeiras” (em vez de passar dificuldade com “Deveríamos querer que, se acreditamos que E=mc2, então E=mc2; e que, se acreditamos... etc.”) Podemos ver também que esse tipo de utilidade depende de nada mais do que a atribuição de verdade a um enunciado ser obviamente equivalente ao próprio enunciado - por exemplo: “É verdade que E=mc2” é equivalente a “E=mc2”. Dessa forma, a posse do conceito de verdade parece consistir na apreciação dessa trivialidade, em vez do domínio de qualquer definição explícita. A busca tradicional por uma tal definição (ou por alguma outra forma de análise reducionista) foi uma caçada a quimeras, um pseudo-problema. A verdade emerge tão excepcionalmente não-profunda como excepcionalmente não-misteriosa.

Este exemplo ilustra os componentes chave da metafilosofia de Wittgenstein e sugere como detalhá-la um pouco mais. Problemas filosóficos se originam tipicamente do choque entre os aspectos inevitavelmente idiossincráticos de conceitos com propósitos especiais – verdade, bom, objeto, pessoa, agora, necessário – e a cientificisticamente guiada insistência na uniformidade. Ademais, as várias espécies de manobras teóricas designadas para resolver tais conflitos (formas de ceticismo, revisionismo, misteriosismo e sistematização conservadora) não são apenas irracionais, mas desmotivadas. Os paradoxos que elas respondem deveriam, em vez disso, ser resolvidos meramente por meio da contemplação dos erros da perversa generalização excessiva da qual eles se originaram. E a fonte fundamental dessa irracionalidade é o cientificismo.

Como Wittgenstein coloca no “The Blue Book”:

Nossa ânsia por generalidade tem [como uma] fonte... nossa preocupação como o método da ciência. Eu tenho em mente o método de reduzir a explicação dos fenômenos naturais ao menor número possível de leis naturais; e, na matemática, de unificar o tratamento de diferentes tópicos usando-se uma generalização. Filósofos constantemente veem o método da ciência diante de seus olhos, e estão irresistivelmente tentados a perguntar e responder do modo como a ciência o faz. Essa tendência é a verdadeira fonte da metafísica e leva os filósofos para a completa escuridão. Quero dizer aqui que nunca pode ser nosso trabalho reduzir qualquer coisa a qualquer outra, ou explicar alguma coisa. A filosofia é “puramente descritiva”. 

Estas idéias radicais não são corretas de maneira óbvia e podem, num exame mais próximo, mostrarem-se erradas. Mas eles merecem receber este escrutínio – serem levadas mais a sério do que são. Sim, a maior parte de nós estivemos interessados em filosofia apenas por causa da sua promessa de fornecer precisamente a espécie de percepções teóricas que Wittgenstein argumenta serem ilusórias. Mas tais esperanças não são nenhuma defesa contra suas críticas. Ademais, se ele se mostrar correto, suficiente satisfação deve ser encontrada no que ainda podemos obter – clareza, desmistificação e verdade.

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Paul Horwich professor de filosofia da New York University. Ele é autor de vários livros, incluindo Reflections on Meaning, Truth-Meaning-Reality e, mais recentemente, Wittgenstein’s Metaphilosophy.

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Publicado originalmente em 3 de Março de 2013 em The Stone, de Opinator, uma seção do The New York Times. Minha tradução.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

V Workshop Wittgenstein: Linguagem, Ética e Estética


Data: 22 a 23 de Julho de 2016
Local: Centro de Eventos Maria Thaler Moser. Rua Antônio Carlos Konder Reis, Treze Tílias, SC
Valor da inscrição (para ter direito a certificado): Profissionais, professores e alunos de pós: R$50,00; Alunos de graduação: R$25:00

Site oficial do evento


Objetivo Geral

O objetivo geral do Workshop é: investigar as relações e implicações, bem como os alcances e limites, da filosofia de Wittgenstein quanto aos problemas, morais, estéticos, epistemológicos e linguísticos. Sendo assim, pretende-se avaliar em que medida o pensamento wittgensteiniano pode contribuir para oferecer respostas às questões e problemas da filosofia contemporânea.

Objetivos Específicos

1. Examinar o potencial teórico da Filosofia de Wittgenstein para a contemporaneidade, bem como suas vantagens e limitações;

2. Estabelecer um fórum interinstitucional permanente de discussões sobre a Filosofia de Wittgenstein (ainda parcialmente explorada e conhecida no Brasil);

3. Divulgar os mais recentes resultados de pesquisas de professores, pesquisadores e alunos de pós-graduação (com reconhecido mérito acadêmico), no que diz respeito ao pensamento do filósofo austríaco;

4. Ampliar e fortalecer os vínculos entres os Programas de Pós-Graduação em Filosofia do Brasil e com alunos de graduação em filosofia, em especial, com a modalidade EaD.

5. Ampliar o intercâmbio internacional entre os Programas de Pós-Graduação em Filosofia do Brasil.


Comissão Organizadora

Prof. Dr. Darlei Dall’Agnol (UFSC)
Me. Bruno Aislã Gonçalves dos Santos (Doutorando UFSC – bruno.aisla@posgrad.ufsc.br)


Comissão Científica

Janyne Sattler (UFSM)
Juliano do Carmo (UFPel)
Léo Peruzzo (PUCPR)


Call for papers

As pessoas interessadas em apresentar trabalho em mesa-redonda no dia 24 deverão enviar até dia 15 de junho um resumo de até 500 palavras no e-mail: darlei@cfh.ufsc.br


Programação

Data: 22/07

16:00h às 17:30h: Minicurso Pré-evento (Professor: Darlei Dall’Agnol, UFSC), A vida e a obra do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein

18:00h: Abertura oficial do V Workshop Wittgenstein (Prefeitura de Treze Tílias e Coordenação do Pólo EaD da UAB)

18h10m: Apresentação cultural

18h30min: Nick Zangwill (Hull University, Inglaterra): Wittgenstein on language, rules and privacy.

19h30min: Alexandre Machado (UFPR): O dever de fazer o mal

20h30min: Coffee Break

20h40min: Arturo Fatturi (UFFS): Conceitos psicológicos em Wittgenstein: significado e comportamento

21h40min: Bortolo Valle (PUCPR): Wittgenstein e a Estética

Data: 23/07

9:00h: Primeira-mesa redonda: Jonathan Orozco
(coord.); Lucas Piccinin Lazzaretti; Matheus de Lima Rui; Teri Roberto Guerios

10:00h: Segunda-mesa redonda: Geraldo das Dores de Armendane (coord.); Gustavo Generaldo de Sá Teles Junior; Lucas Vinícius Cintra Mendes

11:00h: Coffee Break

11h15min: Janyne Sattler (UFSC): Wittgenstein e Elliot contra o ‘ar rarefeito da teoria moral’

12h15min: Almoço

14:00h: Jônadas Techio (UFRGS): O mundo assistido e o mundo vivido: elucidações gramaticais a partir de Wittgenstein e Cavel

15:00h: Juliano do Carmo (UFPel): O papel do treinamento ostensivo na aquisição da linguagem natural

16:00h: Coffee Break

16h15min: Leo Peruzzo (PUCPR): A possibilidade de um cognitivismo moral pragmático a partir de Wittgenstein

17h15min: Mirian Donat (UEL): A ação humana entre causas e razões

18h15min: Vicente Sanfélix Vidarte (València): "El yo em lãs Observaciones filosóficas"

19h15min: Jantar de confraternização.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O problema das cores e o projeto de uma fenomenologia no Wittgenstein intermediário


No Tractatus, Wittgenstein queria mostrar a natureza puramente formal das relações lógicas (incompatibilidade, implicação) entre proposições. "Puramente formal" significa aqui que estas relações não dependiam do conteúdo particular de nenhuma proposição, embora dependessem de que proposições tenham conteúdo. A determinação dessas relações lógicas, portanto, poderia ser feita sem o exame ou análise de nenhum conteúdo proposicional. Por isso, esse determinação poderia ser feita de forma duas vezes a priori: não apenas independentemente da experiência, mas também independentemente da análise lógica completa de qualquer proposição particular.

A análise lógica completa de uma proposição é aquela que chega a proposições que não podem ser mais analisadas: as proposições elementares. As proposições elementares, claro, são complexas, na medida em que são a combinação de certos elementos.  Mas esses elementos são logicamente simples e não podem mais ser analisados. Wittgenstein chamou esses elementos pelo enganador termo "nomes". Esse termo é enganador porque sugere que no nível elementar não há termos gerais, mas apenas termos singulares. Wittgenstein deixou essa questão em aberto. Nomes são quaisquer que sejam os elementos logicamente simples de uma proposição elementar. O que seria um exemplo de nome? Wittgenstein não sabia porque nem ele, nem ninguém tinha até então analisado completamente qualquer proposição, ninguém tinha chagado até o fim da análise lógica de qualquer proposição, tal como essa análise era concebida a priori no Tractatus. Ele sabia a priori apenas que era o que deveria ser encontrado no final da análise de uma proposição.

Os nomes de uma proposição elementar, seus elementos simples, representam elementos simples da realidade. Wittgenstein chamou esses elementos por outro termo enganador: "objetos". Esse termo é enganador porque sugere que na realidade há apenas indivíduos e nenhum entidade universal. Wittgenstein também deixou essa questão em aberto. Objetos são quaisquer que sejam os elementos simples da realidade representados pelos nomes. Exemplos de objetos estavam indisponíveis pela mesma razão que exemplos de nomes estavam. A proposição elementar diz que os objetos que ela representa estão ligados. Se eles estiverem ligados, a proposição é verdadeira. Se não estiverem ligados, ela é falsa. Mas mesmo sendo falsa ela tem sentido, porque o seu sentido é a representação dessa ligação de objetos, ligação essa que Wittgenstein denomina estado de coisas. portanto, quando o estado de coisas que a proposição elementar representa existe, é um fato, então a proposição é verdadeira, caso contrário ela é falsa.

Há uma condição formal para que os nomes representem objetos. Embora simples, os objetos possuem uma espécie de multiplicidade modal. Todo objeto possui uma totalidade de possibilidades combinatórias, de ligação, com outros objetos. Essa totalidade de possibilidades combinatórias é a forma do objeto. A ligação efetiva de objetos é uma estrutura. Portanto, a forma de um objeto é a totalidade das possíveis estruturas que podem ser formadas com esse objeto. Para que um nome represente um objeto, as suas possibilidades combinatórias com outros nomes, sua forma, devem representar as possibilidades combinatórias desse objeto. Em outras palavras: a forma do nome deve espelhar, por assim dizer, a forma do objeto, para que aquele seja o nome deste.

Nesse ponto, algo dito no início do texto pode ser reformulado: as relações lógicas entre proposições poderiam, segundo o Tractatus, ser determinadas independentemente do conhecimento do conteúdo das proposições elementares e, portanto, independentemente do conhecimento das formas dos nomes e dos objetos. Mas isso somente seria possível se as formas dos nomes e dos objetos não determinassem nenhuma relação lógica entre as proposições elementares. Se o objeto a não puder se combinar com os objetos b e c ao mesmo tempo, por exemplo, embora possa se combinar com b e c sucessivamente, então as proposições elementares "a-b" e "a-c" são logicamente incompatíveis, isto é, não podem ser ambas verdadeira. Por isso, "a-b" implica logicamente a negação de "a-c". Essas relações lógicas seriam determinadas pelas formas de a, b e c, e, portanto, pelo conteúdo das proposições "a-b" e "a-c". Sendo assim, o projeto tractariano de mostrar a natureza puramente formal das relações lógicas entre as proposições dependia da tese que as proposições elementares eram logicamente independentes entre si. Dizer que elas são logicamente independentes entre si é dizer que entre elas não há nem incompatibilidade lógica, nem implicação lógica. Se não há incompatibilidade lógica entre as proposições elementares, qualquer conjunção de proposições elementares pode ser verdadeira. Se não há implicação lógica entre proposições elementares, qualquer inferência que contenha apenas proposições elementares como premissa e uma proposição elementar como conclusão será dedutivamente inválida.

Segundo o Tractatus, todas as relações lógicas entre proposições estão no nível das proposições não-elementares. Tais relações são determinadas pelo modo como construímos proposições não-elementares a partir de proposições elementares: aplicando uma determinada operação lógico-formal reiterável sobre proposições elementares e formando funções de verdade de proposições elementares. E essa operação somente poderia gerar todas as demais proposições se as proposições elementares fossem logicamente independentes entre si. Segundo o Tractatus, portanto, toda proposição com sentido ou é uma proposição elementar ou é uma função de verdade de proposições elementares.[1] E é na construção das proposições não-elementares que surgem as relações lógicas entre proposições. A incompatibilidade lógica surge com a negação de uma proposição elementar. A única forma de incompatibilidade lógica admitida pelo Tractatus é a contraditoriedade, a relação que há entre uma proposição (p) e sua negação (~p). A conjunção de ambas é uma contradição: p & ~p.

O aparente contra-exemplo da tese de que a única incompatibilidade lógica que existe é a contraditoriedade é a existência de proposições que parecem manter a relação que se costuma denominar como contrariedade. E eis que surge o problema das cores. As cores se apresentam para nós como excludentes. Isso significa dizer que atribuições de cores distintas, como "a é verde" e "a é vermelho", e atribuições de graus distintos de uma mesma cor, como "a é vermelho esbranquiçado" e "a é vermelho escuro" são logicamente incompatíveis. Todavia, nem "a é verde" é a negação de "a é vermelho", nem vice-versa. Além disso, parece que, embora incompatíveis, ambas podem ser falsas. Esse é o que se costuma chamar de problema das cores. A promissória teórica sobre esse problema que Wittgestein assina no Tractatus é a tese que essas proposições devem poder ser analisadas afim de que, por meio dessa análise, se exiba a contraditoriedade oculta entre ambas.

Num artigo de 1929 intitulado "Algumas observações sobre a forma lógica", Wittgenstein exibe o resultado da tentativa de resgatar aquela promissória teórica. Ele voltou ao problema das cores e o resultado foi a refutação da tese da independência lógica das proposições elementares. Seu argumento é um modus tollens que tem a seguinte estrutura:
1. Se as atribuições de cores são analisáveis, então ou elas são analisáveis do modo M1, ou ou elas são analisáveis do modo M2, ou elas são analisáveis do modo M3.
2. As atribuições de cores não são analisáveis do modo M1.
3. As atribuições de cores não são analisáveis do modo M2.
4. As atribuições de cores não são analisáveis do modo M3.
5. Logo, as atribuições de cores não são analisáveis.
As razões que Wittgenstein oferece para 2, 3 e 4 não serão expostas aqui. Deve-se notar que o que a conclusão diz mais precisamente é que tais proposições não são analisáveis nos termos do Tractatus: elas não são funções de verdade de proposições elementares. Esse resultado não vale apenas para atribuições de cores, mas pode ser obtido, por meio de um argumento com essa mesma estrutura, para qualquer proposição que atribua uma propriedade que admita graus.[2] Wittgenstein chama essas proposições justamente de proposições de grau. Mas, se essas proposições não são analisáveis, então elas são proposições elementares, pois é uma condição suficiente para uma proposição ser elementar que ela não seja analisável, dado que elas são, por definição, aquelas proposições que são encontradas no fim da análise. Somando-se esse resultado ao fato de que tais proposições mantém relações lógicas entre si, pode-se concluir que ao menos essas proposições elementares mantém relações lógicas entre si, o que contradiz a tese do Tractatus que todas as proposições elementares são logicamente independentes entre si.

Mas se essas proposições elementares mantêm relações lógicas entre si, o que determina tais relações? Não parece ser a forma dessas proposições. No cálculo proposicional, "a é verde" e "a é vermelho" são escritas assim: p e q. Mas nesse cálculo, p e q não são formalmente incompatíveis. No cálculo de predicados, essas proposições são escritas assim: Fa e Ga. Mas estas tampouco são formas proposicionais incompatíveis nesse cálculo. Portanto, o único candidato para explicar a incompatibilidade entre essas proposições é o conteúdo dos termos "verde" e "vermelho". Entretanto, o que determina tais relações lógicas é apenas o que há de formal nesse conteúdo. Se estas são proposições elementares, então esses termos são exemplos do que, para o Tractatus, são nomes, e aquilo que eles representam são exemplos de objetos. Mas, nesse artigo, Wittgenstein abandona essa terminologia passa denominar aquilo que tais termos representam como fenômenos, aquilo que é imediatamente dado na experiência. Portanto, o que determina as relações lógicas entre proposições de graus, são as formas dos fenômenos. Sendo assim, a tarefa da lógica, a saber, construir uma teoria sobre o que determina as relações lógicas entre as proposições, não está completa se ela não contiver uma investigação sobre as formas dos fenômenos. Wittgenstein aceitou que essa investigação pudesse ser chamada de fenomenologia.

Embora essa investigação esteja interessada na forma dor fenômenos, não devemos esquecer que ais fenômenos são o que determina o conteúdo dos termos que os representam. Portanto, se as relações lógicas entre as proposições de graus são determinadas pelas forma dos fenômenos, tais relações em alguma medida são, digamos, conteudísticas, por oposição a relações puramente formais, como eram concebidas no Tractatus. Essa consequência pode ser interpretada como o começo de uma revisão do que Wittgenstein entendia por forma lógica no Tractatus. Dai o nome do artigo.

Entretanto, uma parte importante desse projeto fenomenológico é uma herança teórica do Tractatus. Wittgenstein ainda acreditava que a investigação sobre a forma dos fenômenos deveria resultar na construção e uma notação logicamente perfeita que exibisse tais formas de maneira perspícua. A essa notação ele deu o nome de linguagem fenomenológica. Ele tentou a construção dessa linguagem durante quase todo o assim chamado período intermediário, que começa com o artigo de 1929 e termina justamente quando Wittgenstein desiste do projeto de construir uma linguagem fenomenológica e passa gradualmente a amadurecer um novo método de análise lógica: o exame do uso da linguagem cotidiana através da técnica dos jogos de linguagem, que consiste em uma série de experimentos mentais que visam nos fazer lembrar e organizar a informação sobre a lógica da nossa linguagem que, enquanto usuários competentes, já temos.

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[1] Isso implica a tese extensionalista segundo a qual o valor de verdade de qualquer proposição complexa (uma proposição formada por outras proposições) é determinado pelo valor de verdade de suas proposições componentes. A tese extensionalista tem aparentes contra-exemplos, como o caso das atribuições de atitudes proposicionais, tal como a proposição "João acredita que chove", pois o valor de verdade dessa proposição não parece depender do valor de verdade de "chove". Wittgenstein lidou com esse aparente contra-exemplo no Tractatus. Mas a sua solução é um tanto difícil de ser compreendida.

[2] Estas são propriedades que admitem grau quantificável. Logo, seja qual for a forma dos fenômenos, sua representação deve incluir números. E essa é mais uma consequência que está em conflito com o Tractatus. Se as proposições elementares tractarianas contivessem números, elas manteria relações lógicas entre si. Por isso, Wittgenstein explica a natureza do número como algo que aparece apenas no nível não-elementar da linguagem, como um produto do método de construção de proposições não elementares a partir de proposições elementares.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sub Specie Aeternitatis?

Nebulosa de Hélice, também conhecida como Olho de Deus

A leve pomba, enquanto, em seu livre vôo, corta o ar cuja resistência sente, poderia imaginar que ainda mais sucesso teria no vácuo. (Kant)
Não posso sair fora da linguagem com a linguagem. (Wittgenstein)
Somos como marinheiros obrigados a reparar o seu barco no alto mar, sem qualquer possibilidade de desmontar todas as peças e de o reconstruir em doca seca. (Neurath)
A tarefa do filósofo difere das dos outros, pois, em pormenor; mas não de um modo tão drástico como supõe quem atribui ao filósofo um ponto de vista privilegiado, fora do esquema conceptual de que se ocupa. Não há tal exílio cósmico. O filósofo não pode estudar nem rever o esquema conceptual fundamental da ciência e do senso comum sem ter um qualquer esquema conceptual, seja o mesmo ou outro, que não carecerá menos de escrutínio filosófico, no qual possa trabalhar. (Quine)
Eu diria que uma boa parte dos filósofos pode ser dividida em dois grandes grupos: o grupo daqueles que sustentam, explicita ou implicitamente, que podemos filosofar a partir de um ponto de vista sub specie aeternitatis, absoluto (a partir do "olho de Deus"), e o grupo daqueles que sustentam que isso não é possível. Eu me encontro, ou ao menos quero me encontrar, no segundo grupo de filósofos. Alguns, por nunca se dedicarem ao assunto sistematicamente, inadvertidamente parecem ora supor uma coisa, ora a outra, combinando momentos de anti-realismo, digamos assim, com momentos realistas. Seus momentos realistas são geralmente impulsionados por uma inclinação à reificação de abstrações, como aquele que, analogamente à pomba descrita por Kant, acredita que está descrevendo o mundo sublunar corretamente quando abstrai do atrito e da resistência do ar. Eu apenas acrescentaria: o atrito e a resistência do ar, no caso das reflexões filosóficas, são das nossas práticas.


domingo, 9 de agosto de 2015

Russell sobre o jovem Wittgenstein


Este áudio foi retirado de um episódio de um programa da BBC Radio 4 chamado "Great Lives". O programa pode ser assistido aqui. As legendas são minhas.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

The semantic realism of Stroud's response to Austin's argument against scepticism

Este ano, no XVI Encontro Nacional da Anpof, vou apresentar novamente, com algumas melhorias aqui e acolá, um texto em que critico o realismo semântico de Barry Stroud, implícito no seu famoso livro sobre o ceticismo, The Significance of Philosophical Scepticism. A razão dessa repetição é que Stroud estará no evento e não poderia perder a oportunidade de receber um retorno crítico. Eis o resumo do meu texto:


In this paper I initially argue that Stroud's response to Austin's argument against scepticism is based on what I call strong realism about truth, which must be distinguished from weaker versions of realism about truth. The main thesis of the stronger version says that truth is absolutely independent of knowledge, which means that the propositions we believe in could be true of false even if there was no knowledge. Then I argue that this kind of semantic realism is the target of a Wittgensteinian argument against the possibility of massive error, which is a corollary of the strong realism about truth. The main strategy of the Wittgensteinian argument is to show that the massive error hypothesis is incompatible with our only criterion to say that someone has a certain concept. That is to say, the massive error hypothesis leaves no room to explain what it is to have a concept. I also argue that the paradigmatic case argument, criticized by Stroud, is essentially right and Stroud's criticism to it can be answered.

terça-feira, 9 de abril de 2013

"Importantes questões da vida cotidiana"

Então pensei: qual é a utilidade de se estudar filosofia se tudo o que isso te proporciona é te capacitar a falar com alguma plausibilidade sobre algumas abstrusas questões de lógica, etc., & e se isso não melhora o seu pensamento sobre importantes questões da vida cotidiana, se não te faz mais consciencioso do que... um jornalista no uso de expressões PERIGOSAS que tais pessoas usam para seus próprios fins.

--Ludwig Wittgenstein 

(Citado por Norman Malcolm em Ludwig Wittgenstein: A Memoir, como crítica ao uso feito por Malcolm da expressão "o caráter nacional britânico".  Em um comentário sobre a acusação dos alemães de que os ingleses tentaram assassinar Hitler, Malcolm disse que isso não estava de acordo com "o caráter nacional britânico".)

quinta-feira, 28 de março de 2013

I International Colloquium: Perspectives From Wittgenstein

Wittgenstein e Francis Skinner em Cambridge

Data: 21 a 24 de Maio de 2013
Local: UFRGS e PUC-RS, Porto Alegre, RS. 

O evento tem por objetivo reunir pesquisadores e estudiosos do Brasil e do exterior para compartilhar os resultados e perspectivas recentes em linhas de pesquisas abertas pelas contribuições de Wittgenstein em vários campos filosóficos.

Site do evento:  I International Colloquium: Perspectives From Wittgenstein
Email: colloquiumwittgenstein@gmail.com



PROGRAMAÇÃO:
21 e 22 de Maio de 2013 - UFRGS
23 e 24 de Maio de 2013 - PUCRS

21 de Maio de 2013

UFRGS (Auditório do ILEA)

10h00min. CONFERÊNCIA DE ABERTURA:
Wittgenstein, Phenomenal Concepts, and Knowing What it's Like
PhD. William Child (Oxford)

12h00min. Almoço

14h00min. Conferência
The idea of "meaning as use" in Wittgenstein and after
PhD. Hannah Ginsborg (Berkeley UC)

15h30min. Conferência
Pluralism Without Relativism
PhD. Darlei Dall'Agnol (UFSC)

22 de Maio de 2013

UFRGS (Auditório do ILEA)

09h00min. Conferência
O Caráter Contrassensual do Tractatus Logico-Philosophicus
PhD. Rogério Saucedo (UFSM)

10h30min. Conferência
The 'literary' Wittgenstein: a survey
PhD. Janyne Sattler (UFSM)

12h00min. Almoço

14h00min. Conferência
Wittgenstein and Gestalt Psychology
PhD. Katherine Morris (Oxford)

15h30min. Conferência
Operations, Extension and Language Mutation
PhD. André Porto (UFG)

23 de Maio de 2013

PUCRS (Auditório do Prédio 50)

09h00min. Conferência
Wittgensteinian Post-Kantianism: Some Remarks About Practice and Transcendentalism in the Philosophical Investigations
PhD. Marcelo Carvalho (UNIFESP)

10h30min. Conferência
The Expressive Completeness of the Truth-Table Notation
PhD. João Vergílio Cutter (USP)

12h00min. Almoço

14h00min. Conferência
Wittgenstein and the Imagination in Action
PhD. José Medina (Vanderbilt University)

15h30min. Conferência
Making Rules Explicit and Following Them
PhD. Mathieu Marion (Université du Québec à Montréal)

24 de Maio de 2013

PUCRS (Auditório do Prédio 50)

09h00min. Conferência
Reading with Feeling
PhD. Gordon Bearn (Lehigh University)

10h30min. Conferência
Verdadeira sempre que a enuncio
PhD. Alexandre Machado (UFPR)

12h00min. Almoço

14h00min. Conferência de Encerramento
Specters over the ruins: Between Wittgenstein and Derrida
PhD. Victor Krebs (Pontifical Catholic University of Peru)


Comitê organizador

Eros Moreira Carvalho (UFRGS)
Jônadas Techio (UFRGS)
Juliano do Carmo (PUCRS/UFPel)
Paulo Franscisco Estrella Faria (UFRGS)
Rogério Saucedo (UFSM)

Financiamento: FAPERGS e CNPq

II Workshop Wittgenstein: Linguagem, Pensamento e Normatividade

Casa projetada por Wittgenstein para a sua irmã


Data: 23 e 24 de Abril de 2013
Local: Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, RS
Auditório da FAE

Página do evento no Facebook


Programação

23/04/2013 (Moderador: Prof. Dr. Eduardo das Neves Filho)

15h00min - Conferência de Abertura
Quantificação e Fenomenologia
Prof. Dr. João Vergílio Cuter (Universidade de São Paulo)

16h30min - Conferência
Wittgenstein e o Relativismo Ético
Prof. Dr. Darlei Dall'Agnol (Universidade Federal de Santa Catarina)

18h00min - Conferência
Leituras "Literárias" de Wittgenstein
Profª. Drª. Janyne Sattler (Universidade Federal de Santa Maria)

20h00min - Jantar de Confraternização (por adesão)

24/04/2013 (Moderador: Prof. Dr. Juliano do Carmo)

14h00min - Conferência
Verdadeira Sempre que a Enuncio
Prof. Dr. Alexandre Machado (Universidade Federal do Paraná)

15h30min - Conferência
Atribuição de Ilusão e Contrassenso
Prof. Dr. Rogério Saucedo (Universidade Federal de Santa Maria)

17h00min - Conferência de Encerramento
Determinação Completa do Sentido no Tractatus
Profª. Drª. Sílvia Altmann (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) 

19h00min - Confraternização

MINICURSO: 24 a 26 de abril de 2013
09h00min às 12h00min
Noções Básicas do Tractatus Logico-Philosophicus
Prof. Dr. Rogério Saucedo (Universidade Federal de Santa Maria)


Participantes

Prof. Dr. João Vergílio Cuter (USP)
Prof. Dr. Alexandre Machado (UFPR)
Prof. Dr. Rogério Saucedo (UFSM)
Prof. Dr. Darlei Dall'Agnol (UFSC)
Prof. Dr. Eduardo das Neves Filho (UFPel)
Prof. Dr. Juliano do Carmo (UFPel)
Profª. Dra. Sílvia Altman (UFRGS)
Profª. Dra. Janyne Sattler (UFSM)


Inscrições: gewittgenstein@gmail.com

Promoção: Departamento de Filosofia da UFPel
Grupo de Estudos Wittgenstein
Apoio: CNPq

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Tractatus e suas releituras - II Colóquio Wittgenstein: Investigações em Andamento

3 a 6 de dezembro de 2012 


PROGRAMAÇÃO


03/dez

14h – CONFERÊNCIA DE ABERTURA:
The Saying-Showing Distinction in Wittgenstein's Tractatus
Mathieu MARION (Université du Québec à Montréal)

Local: Universidade de São Paulo – Departamento de Filosofia


04/dez

9h-10h30 – COMUNICAÇÕES I

10h30-12h30 – MESA I

Por uma epistemologia do uso
Arley MORENO (UNICAMP) –  Conferencista
Bento PRADO NETO (UFSCar) – Debatedor

14h30-18h30 – MESA II

Sobre o cognitivo e o não-cognitivo na Ética: uma reflexão a partir do último Wittgenstein. 
Darley DALL’AGNOL (UFSC) – Conferencista;
Ludovic SOUTIF (PUC/RJ) – Debatedor
Wittgenstein, Lakatos e o Empirismo Matemático (ou: O que os matemáticos fazem quando não estão fazendo matemática?) 
Tiago TRANJAN (UNIFESP) - Conferencista
Luiz Carlos PEREIRA (PUC/RJ) – Debatedor

Local: Universidade Federal de São Carlos


05/dez

9h-10h30 – COMUNICAÇÕES II

10h30-12h30 – MESA III

"Jedes System ist sozusagen eine Welt": sobre a fragmenta;cão do espaço lógico tractariano
Marcos SILVA (UFRJ) – Conferencista;
João Vergílio GALLERANI CUTER (USP) – DEBATEDOR

14h30-18h30 – MESA IV

Wittgenstein sobre as funções
André PORTO (UFG) – Conferencista
Alexandre NORONHA MACHADO (UFPR) – Debatedor
A Definir
Camila JOURDAN (UERJ) –  Conferencista
Jônadas TECHIO (UFRGS) – Debatedor
Local: Universidade Federal de São Carlos


06/dez

9h-10h30 – COMUNICAÇÕES II

10h30-12h30 – MESA V

O fim da fenomenologia em Wittgenstein – uma abordagem temporal 
Guilherme GHISONI (UFG) – Conferencista
Sílvia ALTMANN (UFRGS) – Debatera

14h30-18h30 – MESA VI

O Tractatus: Uma Abordagem Minimalista 
Mauro ENGELMANN (UFMG) – Conferencista
Marcelo CARVALHO (UNIFESP) – Debatedor
Novas variações em torno de um tema de José Arthur Giannotti
João Vergílio GALLERANI CUTER (USP) – Conferencista
José Arthur GIANOTTI (USP) – Debatedor
Local: Universidade Federal de São Carlos

19h – ENCERRAMENTO
  
Informações e Inscrições
http://humanas.unifesp.br/filosofia/
Grupo de Pesquisas Filosofia e Linguagem 
gpfilosofiaelinguagem@hotmail.com
Programa de Pós-Graduação em Filosofia - UNIFESP
Fone: 11 3381 2148

Organizadores

Prof. Dr. Bento Prado Neto - UFSCar
Prof. Dr. Marcelo Carvalho - UNIFESP
Prof. Dr. João Vergílio G. Cuter - USP


Realização:

UNIFESP – UFSCar – USP

Apoio: FAPESP

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia - UFOP



Site do evento: http://www.enpf.org


Programação

15/-19/10


Dia 1 - Segunda ​

09:00hrs às 12:00hrs Credenciamento

13:30-15:30 Comunicações - Mesa I 

- “Utilitarismo: relações neutras e imparcialidade” - Leandro Shigueo
- “Objeções ao sistema moral sugerido por Ernest Tugendhat” - Laísa Roberta Trojaike
- “O fim da filosofia moral?” - José Costa Júnior
- “A objeção de Boonin ao argumento do futuro com valor” - Rafael Alberto Silvério d’Aversa ​

15:30- 16:00 Intervalo ​

16:00-18:00 Mesa II

- “Eutanásia voluntária e argumento do declive escorregadio” - Aluízio Couto
- “O realismo político de Carl Schmitt” - Rone Leandro
- “Considerações acerca da liberdade na filosofia kantiana” - Lucas Barreto Dias
- “Relativismo e Niilismo: uma reflexão sobre as posições céticas na metaética” - Bruno Constâncio ​

19:30hrs às 21:30hrs Palestra ''Uma semântica simples para frases existenciais negativas'' - João Branquinho


Dia 2 - Terça ​

09:00hrs às 12:00hrs Minicurso "Existência e Ser'' - João Branquinho​ 

13:30-15:30 Comunicações - Mesa I

- “Nomes próprios e identificação” - Sagid Salles
- “O não-cognitivismo no campo da metaética: uma análise das posições emotivistas e expressivistas” - Adelino Ferreira
- “O Wittgenstein de Kripke é um não factualista sobre o significado?” - Aline da Silva Dias
- “Peso Lógico como método de investigação no Tractatus Logico-Philosophicus” - Paulo Henrique Silva Costa ​

15:30- 16:00 Intervalo ​

16:00-18:00 Comunicações - Mesa II

- “O valor das falácias – uma análise comparativa do apelo a emoções num panfleto do grupo Die Weisse Rose e numa sentença do Volksgerichtshof” - Eraldo Souza dos Santos
- “Seria Frege um aristotélico?” - Daniel Moraes
- “O paradoxo da conhecibilidade e a Solução de Kvanvig” - Iago Bozza
- “Semelhanças entre o Absurdo segundo Wittgenstein e a “Nulidade” da Aritmética Transreal” - João Daniel Dantas de Oliveira​

19:30hrs às 21:30hrs Palestra "Faz sentido dizer que o metro padrão tem um metro?" - Alexandre Machado


Dia 3 - Quarta

​09:00hrs às 12:00hrs Minicurso "Existência e Ser'' - João Branquinho ​

13:30-15:30 Comunicações - Mesa I

- “Sobre a música na obra de Pitágoras de Samos e os pitagóricos” - Juliano Gustavo Ozga
- “O que acontece quando a divisão infinita chega ao fim?” - Vanderson Reis
- “Será a crença na própria falibilidade uma crença infalível?” - Kherian Gracher
- “Uma resposta contextualista para o argumento cético baseado no fechamento epistêmico” - Eduardo Benkendorf ​

15:30- 16:00 Intervalo ​

16:00-18:00 Comunicações - Mesa II

- “A polêmica sobre o fundamento do Cálculo: Análise a partir da proposição X, livro dois dos Principia de Newton” - Luiz Felipe Sigwalt de Miranda
- “O problema da demarcação em Karl Popper” - Juliana Barbosa Brito
- “Acerca do debate filosófico sobre a objetividade, neutralidade e autonomia da ciência: a contribuição de Hugh Lacey” - Anderson Elias
- “Ceticismo e caráter em David Hume” - Wendel de Holanda Pereira Campelo ​

19:30hrs às 21:30hrs Palestra ''O que é ser racional? Uma análise do conceito de racionalidade'' - Alexandre Meyer


Dia 4 - Quinta

09:00hrs às 12:00hrs Minicurso ''Uma introdução à discussão contemporânea sobre o ceticismo'' - Alexandre Meyer ​

13:30-15:30 Comunicações - Mesa I
- “O problema difícil da consciência” - Gleice Jamaguiva
- “Ética para construção de máquinas sociais” - Pablo De Araújo Batista
- “Da relação entre intencionalidade e consciência” - Evelyn Erickson
- “Alucinações sem conteúdo fenomênico” - Luiz Helvécio Marques Segundo​ 15:30- 16:00 Intervalo ​

16:00-18:00 Comunicações - Mesa II

- “O argumento epistemológico contra a visão platonista da matemática” - Daniela Moura Soares
- “O naturalismo na metaética” - Mateus Machado Pinto de Almeida
- “A biologia kantiana de Jakob von Uexküll.” - Elaine Cristina Borges de Souza
- “Contra o ceticismo sobre a concebilidade" - Pedro Merlussi ​

19:30hrs às 21:30hrs Palestra ''O que é ser racional? Uma análise do conceito de racionalidade'' - Alexandre Meyer


Dia 5 - Sexta

09:00hrs às 12:00hrs Minicurso ''Uma introdução à discussão contemporânea sobre o ceticismo'' - Alexandre Meyer ​

13:30-15:30 Comunicações - Mesa I

- “Como as metáforas funcionam?” - Carlos André F. Pereira
- “A concepção flusseriana de imagem: uma abordagem tecno-estética” - Fernanda Tatiani de Oliveira • - “Da possibilidade da Dança como arte” - Andreia Bluemel Gardé
- “Análise sobre a escrita no diálogo Fedro de Platão” - Kellen Moraes​ 

15:30- 16:00 Intervalo ​

16:00-18:00 Comunicações - Mesa II

- “Benjamin e a transfiguração cinematográfica da experiência estética” - Weynna Barbosa
- “Da Câmera Fotográfica à Máquina Digital: reflexões sobre a fotografia em Benjamin” - Ana Carolina de Melo Coan
- “A educação pública como instituição política necessária na modernidade” - Tamíris Moreira
- “O conhecimento intelectual das coisas sensíveis segundo Tomás de Aquino” - Richard Lazarini
- “O primado no conhecimento em Merleu-Ponty” - Gustavo Luis de Moraes ​

19:30hrs às 21:30hrs Debate - Desidério Murcho - Gilson Iannini - Olímpio Pimenta ​

22:00hrs Festa de encerramento

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Engano e conhecimento


Estar enganado é crer que algo é o caso quando não é, ou crer que algo não é o caso quando é. Ou seja, estar enganado é crer que as coisas são de um modo quando as coisas são de um modo diferente daquele que acreditamos. Descobrir um engano, portanto, é descobrir que as coisas são de um modo diferente daquele que acreditamos. Logo, não há como descobrir um engano sem que saibamos como as coisas são. Parte da descoberta de um engano consiste em descobrir como as coisas são. Por isso, um método filosófico que pretenda ser nada mais do que uma exibição sistemática de certos enganos não pode se abster de, em alguma medida, dizer como as coisas são. E pode-se dizer isso de outra forma: um método puramente negativo não é possível em filosofia. Isso é algo que Adorno e Horkheimer parecem não ter visto na sua crítica total à razão, criticada por Habermas. Como uma crítica da razão, se essa consiste em mostrar os seus supostos erros, pode não usar a razão para mostrar como as coisas de fato são?

Essa é uma das razões básicas de por que não entendo a interpretação de Wittgenstein como praticando uma filosofia puramente negativa, no sentido em que estou usando esse termo. Como eu posso reconhecer que me extraviei no sem-sentido se não reconheço que não satisfiz as condições para o sentido, sejam elas quais forem, sejam elas mais gerais, sejam mais contextuais. Como Wittgenstein pode não estar apontando para regras gramaticais e ainda querer mostrar que estamos fazendo falsas analogias gramaticais? Como podemos estar usando a linguagem sem dizer nada se isso não é porque não estamos a usando como deveríamos, se quiséssemos dizer algo? Negar que a regras sejam entidades abstratas não é negar que uso da nossa linguagem seja feito de acordo com regras, que podemos reconhecer e cuja tentativa de seguir pode fracassar.

__________

Agradeço a Mauê Zanchet por ler essa postagem e apontar um erro.

domingo, 27 de maio de 2012

Workshop: O Desenvolvimento Filosófico de Wittgenstein


Discussão sobre o livro Wittgenstein's Philosophical Development: Phenomenology, Grammar, Genetic Method, and the Anthropological Perspective, de Mauro Engelmann (UFMG)


Data: 14 e 15 de junho de 2012

Local: Miniauditório do IFCH, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Campus do Vale

Informações: Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRGS


Programação


Quinta-feira, 14/06/2012

14:00h - Mauro Engelmann (UFMG), O desenvolvimento filosófico de Wittgenstein: apresentação geral

15:00h - Alexandre Noronha Machado (UFPR), Fenomenologia, 'gramática' e os limites do sentido

16:30h - Coffee break

17:00h - João Vergílio Gallerani Cuter (USP), A teoria causal do significado de Russell, seguir uma regra, a linguagem como cálculo e a invenção do método genético


Sexta-feira, 15/06/2012

10:00h - Marcelo Carvalho (UNIFESP), O 'Big Typescript', o 'Tractatus', Sraffa e a Perspectiva Antropológica

14:00h - Jônadas Techio (UFRGS), A caminho das 'Investigações Filosóficas': o 'Livro Azul', o 'Livro Marrom', 'Uma Consideração Filosófica' e o manuscrito 142

15:30h - Coffee break

16:00h - Paulo Faria (UFRGS), As 'Investigações Filosóficas'

17:30h - Mauro Engelmann (UFMG), Considerações Finais

terça-feira, 17 de abril de 2012

Workshop Wittgenstein - Linguagem, Pensamento e Normatividade

L. Wittgenstein
Data: 14 e 15 de maio de 2012

Local: PUCRS, Auditório do Prédio 5 – Campus Central


Programação:

14.05.2012

09h15min - Conferência de Abertura

L. Wittgenstein and M. Polanyi on Personal Knowledge
Prof. Dr. Marcel Niquet (Goethe-University)

10h15min - Intervalo

10h30min - PALESTRA

O ceticismo sobre outras mentes
Prof. Dr. Jônadas Techio (UFRGS)

12h00min - Almoço

14h00min - PALESTRA

O metro padrão tem um metro de comprimento?
Prof. Dr. Alexandre Machado (UFPR)

15h00min - Intervalo

15h15min - PALESTRA

A matemática no Tractatus Logico-Philosophicus
Prof. Dr. Rogério Saucedo (UFSM)

16h15min - Intervalo

16h30min - PALESTRA

Sobre o Potencial da Noção de Uso na Determinação do Significado
Prof. Dndo. Juliano do Carmo (PUCRS/UFPEL)

15.05.2012

09h00min - MINI-CURSO

Fundamentação da Ética do Discurso: Uma Reconstrução do debate entre K. O. Apel e Jürgen Habermas 1972 - 1998
Prof. Dr. Marcel Niquet (Goethe-University)

12h00min - Almoço

14h00min - PALESTRA

Wittgenstein´s remarks on Frazer´s ´The Golden Bough´: An anthropological hermeneutics of ´strange´ forms of life?
Prof. Dr. Marcel Niquet (Goethe-University)

15h15min - PALESTRA

A Bipolaridade Essencial da Proposição no Tractatus Logico-Philosophicus
Profª. Dra. Sílvia Altmann (UFRGS)

16h30min - PALESTRA

Sobre a Distinção Dizer-Mostrar no Tractatus Logico-Philosophicus
Profª. Dra. Janyne Sattler (UFSC)

17h30min - ENCERRAMENTO

16.05.2012

09h00min - MINI-CURSO

Fundamentação da Ética do Discurso: Uma Reconstrução do debate entre K. O. Apel e Jürgen Habermas 1972 - 1998
Prof. Dr. Marcel Niquet (Goethe-University)

14h00min - MINI-CURSO

Fundamentação da Ética do Discurso: Uma Reconstrução do debate entre K. O. Apel e Jürgen Habermas 1972 - 1998
Prof. Dr. Marcel Niquet (Goethe-University)

17.05.2012

09h00min - MINI-CURSO

Fundamentação da Ética do Discurso: Uma Reconstrução do debate entre K. O. Apel e Jürgen Habermas 1972 - 1998
Prof. Dr. Marcel Niquet (Goethe-University)

PUCRS - Campus Central