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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Robert Hanna - Kant vs. The Analytic Tradition

Robert Hanna
O filósofo Robert Hanna, da Colorado University (Boulder), dará duas palestras na Universidade Federal do Paraná, nos dias 23 (segunda-feira) e 25 (quarta-feira) de Maio, às 15:00h, na sala do PPG em Filosofia, (Rua Dr. Faivre, Ed. D. Pedro II). O evento é uma realização do Departamento de Filosofia da UFPR.

As palestras serão sobre tópicos do seu livro Kant and the Foundations of Analytic Philosophy  (Oxford: OUP, 2001). Elas serão proferidas em inglês.


Primeira palestra, 23 de maio, 15:00h

Kant vs. the analytic tradition on concepts, analyticity, and logic


Segunda palestra, 25 de maio, 15:00h

Kant vs. the analytic tradition on intuitions, syntheticity, and the synthetic a priori

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O encanto da filosofia linguística



Parte 2, parte 3, parte 4, parte 5.

Essa é uma excelente entrevista de Bernard Williams, concedida a Bryan Magee, sobre a filosofia lingüística. Ele fala sobre as virtudes e problemas da assim chamada filosofia lingüística, explica a diferença entre filosofia lingüística e filosofia da linguagem e faz considerações valiosas sobre a clareza na parte 3. Incorporei a parte 1 acima e coloquei os links para as demais parte mais abaixo. Neste canal do YouTube, podem ser encontradas muitas outras entrevistas de muitos outros filósofos.

sábado, 30 de maio de 2009

Preconceitos sobre a filosofia analítica

Heidegger
Toda interpretação se funda na compreensão. O sentido é o que se articula como tal na interpretação e que, na compreensão, já se prelineou como possibilidade de articulação. Na medida em que a proposição (o "juízo") se funda na compreensão, representando uma forma derivada de exercício de interpretação, ela também "possui" um sentido. O sentido, porém, não pode ser definido como algo que ocorre em um juízo ao lado e ao longo do ato de julgar. No presente contexto, a análise temática da proposição visa várias coisas.

Em primeiro lugar, pode-se mostrar na proposição de que maneira a estrutura-"como", contitutiva de toda compreensão e interpretação, é suscetível de modificação. Com isso a compreensão e interpretação aparecem com maior nitidez. Em segundo lugar, a análise da proposição ocupa um lugar privilegiado na problemática de uma ontologia fundamental, uma vez que no início decisivo da antiga ontologia, somente o logos [em grego no original] constituía o fio condutor de acesso ao ente propriamente dito e da determinação do ser dos entes. Por fim, há muito tempo a proposição vale como o lugar próprio e primário da verdade. Esse fenômeno acha-se tão intimamente acoplado ao problema do ser que a presente investigação terá de se deparar necessariamente, em seu curso, com o problema da verdade. Ela já se encontra, embora implicitamente, na dimensão desse problema. A análise da proposição também pretende preparar o advento desta problemática.

Atribuiremos a seguir três significados à palavra proposição. São significados auridos do fenômeno por ela designado, inter-relacionados entre si e que, em sua unidade, delimitam a estrutura completa da proposição. [Martin Heidegger, Ser e Tempo, §33 (Petrópolis: Vozes)]
Por que estou citando essa passagem de um texto de Heidegger? Porque concordo com ele? Não. Porque discordo? Também não. Não tenho certeza de ter entendido tudo o que ele diz nessa passagem. Meu objetivo com essa citação é apresentar um caso paradigmático de contra-exemplo de um preconceito muito difundido na academia: que "filosofia da linguagem" é sinônimo de "filosofia analítica" ou ao menos de "filosofia analítica da linguagem". Ernst Tugendhat, que foi um estudioso de Heidegger, chama um de seus livros Lições Introdutórias à Filosofia Analítica da Linguagem (Ijuí: Unijuí; Tugendhat dedica o livro à memória de Heiddeger). Ele tem o cuidado de colocar o qualificativo "analítica", o que deixa espaço para se pensar em uma filosofia da linguagem não analítica. E acho que o §33 de Ser e Tempo, o trecho inicial do qual eu citei acima, bem como o §34 ("Dasein e discurso. A linguagem"), exemplificam bem essa alternativa, sem entrar no mérito de se é uma boa ou má alternativa. Heidegger está se propondo fazer uma análise da proposição e está dizendo que essa análise ocupa um lugar privilegiado na principal tarefa que ele realiza em Ser e Tempo, e que é a principal tarefa da sua filosofia nessa época. Essa análise não é uma atividade filosófica? E seu tema central não é a linguagem? Se sim, então o que falta para se admitir que se trata de uma filosofia da linguagem?

Outra afirmação importante de Heidegger é que a linguagem era entendida desde os gregos (os que iniciaram a ontologia antiga) como o fio condutor da ontologia. Essa tese atribuída aos gregos (correta ou incorretamente) é muito próxima da afirmação que a filosofia, mesmo a metafísica, deve ser feita por meio da análise da linguagem, uma tese geralmente atribuída aos filósofos analíticos (mas que nem todos os filósofos analíticos aceitam). Portanto, segundo Heidegger, essa tese, que ele combate em Ser e Tempo, não passou a ser defendida apenas com o advento da filosofia analítica no final do séc. XIX. Ou seja, de acordo com Heidegger, de há muito tempo a filosofia atribui importância filosófica crucial à análise da linguagem.

Esse contra-exemplo paradigmático do preconceito referido acima serve para mostrar que, seja qual for a diferença que haja entre filosofia analítica e filosofia continental, se há alguma, essa diferença não é uma diferença de temática. Mas há contra-exemplos análogos de preconceitos análogos: o preconceito que epistemologia, filosofia da ciência, filosofia da lógica e filosofia da matemática são disciplinas apenas da filosofia analítica. Platão e Kant, por exemplo, não tinham uma reflexão espistemológica (que influencia os debates até hoje)? Heidegger não tinha uma reflexão filosófica sobre a natureza da ciência? Hegel não tinha uma filosofia da lógica? Husserl, o professor de Heiddeger, não tinha uma filosofia da matemática?

Mas há um outro preconceito: que filósofos analíticos não estão interessados em história da filosofia. Se isso fosse o caso, eles não estariam interessados na história da filosofia analítica. E se não estivesses interessados nisso, então eles teriam que entrar no debate sobre os problemas que eles querem tratar sem saber como esse debate se desenrolou até sua inserção no mesmo. Mas é difícil ver como isso seria possível. É claro que há muitos filósofos analíticos que fazem história da filosofia, e de alta qualidade. Talvez eles não façam a história da filosofia do modo como os filósofos não-analíticos fazem, ou não sobre os autores preferidos dos filósofos não analíticos. Mas isso já é outra questão. Bertrand Russell, escreveu um livro sobre Leibniz. Bernard Williams escreveu um livro sobre Descartes. A tese de doutorado de Donald Davidson é sobre Platão. Gilbert Ryle escreveu um livro sobre Platão. Peter Strawson escreveu um livro sobre Kant. E hoje em dia a há muitos livros de filósofos analíticos sobre filosofia medieval. Isso são apenas uns poucos contra-exemplos paradigmáticos desse último preconceito. Mas há ainda filósofos analíticos que estudam Hegel, Marx e outros filósofos paradigmaticamente não-analíticos. Entre esses estudiosos de Hegel estão Robert Brandom, John McDowell e Peter Hylton, esse último um grande historiador da filosofia analítica e autor de um artigo que faz parte do Cambridege Companion to Hegel. A abordagem analítica de Marx deu origem ao que se costuma chamar de marxismo analítico.

Eu abordo brevemente um outro preconceito contra a filosofia analítica nesta postagem. Trata-se de pensar que os filósofos analíticos resolvem problema filosóficos como matemáticos, de modo puramente formal, aplicando um algoritmo a um conjunto de dados para obter um certo resultado...

Lutar contra esses preconceitos não é fácil! Às vezes a gente não sabe nem por onde começar...

Desidério Murcho oferece uma análise das causas de tais preconceitos, em Compreender as críticas à filosofia analítica, e mostra a importância de se compreender essas causas para se compreender melhor esses preconceitos e, com isso, poder lidar melhor com eles.

Termino com a sugestão de dois textos importantes para ajudar a compreender a filosofia analítica:

François Recanati, "Pela Filosofia Analítica".
Timothy Williamson, "Depois da viragem linguística?".

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Filosofia e sua história

Em sua Encyclopedia of Wines and Spirits, Alex Lichine descreve [o Xerez] com essas palavras:


A coisa mais interessante sobre o Xerez [...] é o peculiar sistema por meio do qual sua melhor qualidade é mantida. Um Xerez muito velho, muito fino, tem o poder de educar e melhorar um mais jovem. Por causa disso, os vinhos antigos são mantidos nos barris mais velhos que os fabricantes chamam soleira. Essa é uma série de tonéis [casks] graduados pela idade. Uma série é feita a partir de tonéis grandes [butts] idênticos. A classe mais antiga em uma soleira é aquele chamado Soleira. A segunda mais antiga é a primeira Criadeira, a terceira é a segunda Criadeira, e assim por diante. Quando o vinho é dragado da Soleira, é dragado em quantidades iguais de cada tonel grande. Então inicia-se um sistema progressivo no qual a Soleira é recarregada pela primeira Criadeira, que por sua vez é recarregada pela segunda Criadeira, etc.  O resultado mágico desse processo é que o último tonel permanece eternamente o mesmo em qualidade. Um tonel de 1888, por exemplo, dificilmente mantém uma colher da sua safra original. Mas cada substituição colocada de volta dentro dele durante os anos  foi educada para ser 1888, e substituições  por vir serão escoladas no mesmo padrão. Por meio desse sistema, é possível não apenas preservar a mesma qualidade e caráter do vinho ao longo dos anos, mas também, por constantemente renovar [refreshing] os tipos Finos com vinhos mais novos, evitar que perca seu frescor [freshness].


Nesse sistema de bombas e barris encontramos um meio de descrever a relação entre a filosofia tradicional e a filosofia contemporânea. Tomando emprestado a expressão de Lichine, podemos dizer que a filosofia mais antiga tem o poder de educar e melhorar a nova filosofia. E a nova filosofia não apenas preserva a qualidade e caráter da filosofia mais antiga, mas tem a capacidade de renová-la [refresh it]. Combinação, preservação e renovação [refreshment] são, portanto, as características que definem a relação entre a filosofia presente e sua história. Mas agora a questão é se a metáfora da Soleira se ajusta aos fatos. A filosofia analítica do séc. XX é um vinho novo? Ou é como um vinho antigo que perdeu o seu frescor [freshness]?


A questão é composta pelo fato de ser difícil dar uma definição precisa de "filosofia analítica", dado que ela não é tanto uma doutrina específica quanto uma concatenação frouxa de abordagens de problemas.


[Stroll, Avrum. (2000) Twentieth Century Analytic Philosophy. New York: Columbia University Press pp. 4-5. Na foto, Stroll saboreia queijo e vinho. Será um xerez?]

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Sociedade Brasileira de Filosofia Analítica (SBFA)

Comitê Pró-Fundação da SBFA

Presidente: Nelson Gonçalves Gomes (UnB)
Vice-Presidente: Danilo Marcondes de Souza Filho (PUC-Rio)

Secretaria: Adriano Naves de Brito (Unisinos) & Celso R. Braida (UFSC)

Membros (presentes à reunião de instalação no IV CNFL, na Unisinos, São Leopoldo-RS, em novembro de 2007):

1. Claudio Ferreira Costa (UFRN)
2. Jaime Parera Rebello (UFRGS)
3. Sofia Inês Albornoz Stein (UCS)
4. Ana Paula Monteiro dos Reis (Unisinos)
5. Ivanaldo Oliveira dos S. Filho (UFRN)
6. Josailton Fernandes de Mendonça (UFRN)
7. Vera Vidal (Fiocruz)
8. Noel Struchiner (UFRJ)
9. Ramon Felipe Wagner (Unisinos)
10. Matheusde Mesquita Silveira (Unisinos)
11. Raquel Herdy (PUC-RS)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Quine: filosofia como análise conceitual


Segue abaixo uma transcrição de um trecho da entrevista de Quine concedida a Bryan Magee. Nesse trecho Quine diz inequivocamente que a tarefa central da filosofia é a análise conceitual. Para assistir à entrevista completa, clique nos seguintes links: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 parte 5.
Magee: Você inclui nisso [no rol de perguntas filosóficas] ou exclui disso as perguntas muito antigas sobre como o mundo começou, como a vida começou?

Quine: Eu excluo essas da filosofia. "Como o mundo começou?" é um problema para o físico ou astrônomo, e, naturalmente, tem havido conjecturas sobre isso. "Como a vida começou?" é um problema para o biólogo, que tem feito muito progresso nos anos recentes. "Por que o mundo começou?", "Por que a vida começou?", por outro lado, eu penso, são pseudo-perguntas, porque não posso imaginar o que seria a resposta.

Magee: Você pensa que, porque não há nenhuma resposta concebível para essas perguntas, elas são perguntas sem sentido (meaningless)?

Quine: Sim.

Magee: Em outras palavras, você considera as tarefas centrais da filosofia a análise e elucidação de conceitos que são centrais para áreas da atividade humana e também de noções particulares como o que é para uma coisa causar outra, o que é para uma coisa existir, o que é para uma coisa, digamos, ser uma lei científica, as noções mais gerais que são o tecido conector do pensamento que temos que usar, temos que empregar em atividades específicas em que pessoas como os cientistas, ou poderia ser políticos, advogados, estão engajados. Esse é um modo correto de formular sua visão?

Quine: Sim, eu concordo com isso.

domingo, 30 de março de 2008

Filosofia Analítica


Talvez o que torne os filósofos analíticos atuais filósofos analíticos seja um contrafactual: eles teriam feito filosofia do modo como Moore, Russell e Wittgenstein fizeram, se tivessem feito filosofia quando Moore, Russell e Wittgenstein fizeram.

-- A.P. Martinich (Introdução a A Companion to Analytic Philosophy, Oxford: Blackwell, 2001, p. 5)