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domingo, 16 de novembro de 2008

O Naturalismo de Quine

Quine tem sido acusado de incoerência ao sustentar a tese da subdeterminação das teorias e o "realismo robusto". Em "Quine's Natualism" (Midwest Studies in Philosophy, vol. 19, 1994), tentando defender Quine dessas criticas, Peter Hylton diz:
O aspecto crucial do naturalismo, como ele emerge da discussão precedente, é que nós sempre falamos de dentro de uma teoria, um sistema do mundo. Não há nenhuma posição neutra ou sem pressuposições da qual podemos fazer juízos sobre o mundo e nossa teoria sobre ele: todos os nossos juízos devem ser avaliados como fazendo parte de uma teoria substantiva do mundo. Em particular, nossas observações filosóficas são feitas dentro de uma tal teoria. [p. 265]
Mas se é assim, não sei como entender a tese que "há vários modos defensáveis de se conceber o mundo" (Quine, Pursuit of Truth, citado por Hylton, p. 262), ou seja, a tese da subdeterminação das teorias pelas "verdades observacionais". Essa parece ser uma tese não apenas sobre a nossa teoria, mas sobre qualquer teoria. Mas se é assim, ela é uma tese sobre a relação entre as teorias e o mundo. E de qual ponto de vista poderíamos estar enunciando essa tese? Só pode ser de um ponto de vista que transcende todas as teorias. Mas se, como sustenta Quine, esse ponto de vista não existe, então a tese de Quine não pode ser enunciada. Portanto, parece que ou Quine pode enunciar sua tese e o ponto de vista sub specie aeterni existe, mas dai ele não pode refutar o seu crítico dizendo que esse ponto de vista não existe, ou esse ponto de vista não existe e ele não pode formular sua tese.


Foto: Peter Hylton

segunda-feira, 19 de março de 2007

Rogério Passos Severo

Acaba de ser publicado na edição online da revista Synthese (fevereiro, 2007) um artigo sobre Quine, "'Plausible insofar as it is intelligible': Quine on underdetermination", do meu amigo Rogério Passos Severo. Rogério é Mestre em Filosofia pela UFRGS e Doutor em Filosofia pela University of Illinois at Chicago, tendo defendido uma tese sobre Quine sob a orientação de Peter Hylton. Eis o abstract do artigo:

Abstract: Quine’s thesis of underdetermination is significantly weaker than it has been taken to be in the recent literature, for the following reasons: (i) it does not hold for all theories, but only for some global theories, (ii) it does not require the existence of empirically equivalent yet logically incompatible theories, (iii) it does not rule out the possibility that all perceived rivalry between empirically equivalent theories might be merely apparent and eliminable through translation, (iv) it is not a fundamental thesis within Quine’s philosophy, and (v) it does not carry with it the anti-realistic consequences often associated with the thesis in recent debates. The paper analyzes Quine’s views on the matter and the changes they underwent over the years. A conjecture is put forth about why Quine’s thesis has been so widely misrepresented: Quine’s writings up to 1975 tackled primarily the formulation and justification of the thesis, but afterwards were concerned mostly with the question whether empirically equivalent rivals to the theory we hold are to be considered true also. When this latter discussion is read without bearing in mind Quine’s earlier formulation and justification of the thesis, his thesis seems to have stronger epistemic consequences than it actually does. A careful reading of his later writings shows, however, that the formulation of the thesis remained unchanged after 1975, and that his mature and considered views supported only a very mitigated version of the thesis.

Keywords: Quine - Underdetermination - Empirical equivalence - Theory translation