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segunda-feira, 15 de março de 2010

Como o cético sabe o que é conhecimento?

Esse é o resumo do texto que vou apresentar no XIV Encontro da Anpof:

No seu livro sobre o ceticismo, Barry Stroud apresenta e defende o argumento cético do sonho. Uma das defesas consiste em refutar a crítica de Austin ao ceticismo, que procura mostrar que o argumento cético ataca um homem de palha, na medida em que o conceito de conhecimento operante no argumento cético não é o nosso conceito ordinário ou científico de conhecimento. Austin procura mostrar isso por meio de uma análise do uso das expressões "conhecer" e "saber" e expressões epistêmicas logicamente correlacionadas a essas. A estratégia da resposta de Stroud consiste em mostrar que nosso uso dessas expressões nem sempre é guiada por interesses epistêmicos e que, por isso, não podemos concluir nada sobre a natureza do conhecimento a partir de considerações sobre o uso dessas expressões. A partir desse quadro do debate, pretendo mostrar duas coisas no meu texto: (1) O argumento cético implica a efetividade do erro maciço no uso das expressões epistêmicas. Isso mostra que Stroud implicitamente admite um versão do realismo semântico contra o qual se dirige um argumento wittgensteiniano. (2) Stroud não dispõe de nenhuma explicação plausível de como ele sabe qual é o conteúdo do conceito de conhecimento. A alguém que duvide, com base no uso ordinário das expressões epistêmicas, que o conteúdo desse conceito seja aquele apresentado pelo cético, o cético não pode oferecer uma negação justificada. Só podemos aceitar a resposta de Stroud a Austin se nos contentarmos em deixar sem explicação como adquirimos o conceito de conhecimento.

5 comentários:

  1. E como adquirimos o conceito de conhecimento?
    Como nos tornamos capaz de conhecer o que e como conhecemos?

    Não conheço estes autores...mas, tenho minhas respostas produzidas a partir da psicologia cognitiva...mas...chego aqui...

    São todos pensamentos, pensar como pensamos o pensamento...são conceitos sobre conceitos, querendo chegar em mais conceitos?

    Complexificar cada vez mais o sentido que a vida pode assumir?

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  2. e como o cético sabe que é cético?

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  3. Que feliz "coincidência"!

    Nesse exato momento estou lendo o texto "the problem of the external world" de Barry Stroud. Faz parte de meus estudos sobre o ceticismo que estou iniciando e pretendo levar na pós-graduação. Fiquei muito curioso para conhecer seus argumentos. Pretende disponibilizar a versão completa do artigo?

    Abç, e parabéns pelo seu blog.
    Fernando.

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  4. Ana Paula: Minha postagem é sobre o ceticismo. Não é sobre o sentido da vida. É também sobre o conhecimento, não apenas sobre o pensamento e conceitos.

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  5. Fernando: O essencial do que vou apresentar está no final do seguinte artigo:

    http://alexandremachado.50webs.com/pesquisa/publicacoes/conhecimento.pdf

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