
Esse é o resumo do texto que vou apresentar no XIV Encontro da Anpof:
No seu livro sobre o ceticismo, Barry Stroud apresenta e defende o argumento cético do sonho. Uma das defesas consiste em refutar a crítica de Austin ao ceticismo, que procura mostrar que o argumento cético ataca um homem de palha, na medida em que o conceito de conhecimento operante no argumento cético não é o nosso conceito ordinário ou científico de conhecimento. Austin procura mostrar isso por meio de uma análise do uso das expressões "conhecer" e "saber" e expressões epistêmicas logicamente correlacionadas a essas. A estratégia da resposta de Stroud consiste em mostrar que nosso uso dessas expressões nem sempre é guiada por interesses epistêmicos e que, por isso, não podemos concluir nada sobre a natureza do conhecimento a partir de considerações sobre o uso dessas expressões. A partir desse quadro do debate, pretendo mostrar duas coisas no meu texto: (1) O argumento cético implica a efetividade do erro maciço no uso das expressões epistêmicas. Isso mostra que Stroud implicitamente admite um versão do realismo semântico contra o qual se dirige um argumento wittgensteiniano. (2) Stroud não dispõe de nenhuma explicação plausível de como ele sabe qual é o conteúdo do conceito de conhecimento. A alguém que duvide, com base no uso ordinário das expressões epistêmicas, que o conteúdo desse conceito seja aquele apresentado pelo cético, o cético não pode oferecer uma negação justificada. Só podemos aceitar a resposta de Stroud a Austin se nos contentarmos em deixar sem explicação como adquirimos o conceito de conhecimento.