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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Minicurso sobre a Teoria da Referência e Filosofia da Ciência

O problema da referência dos termos científicos na história e filosofia da ciência contemporânea

Profa. Lucia Lewowicz
Universidad de la República Oriental del Uruguay
26 a 28 de abril 14h00 às 17h30
Departamento de Filosofia Ed. Pedro II, 6o andar, sala 613 Reitoria – UFPR


Durante o século XX, a filosofia da ciência prestou uma especial atenção ao problema da linguagem científica; primeiro, tratando de defender a sua especificidade em relação às linguagens históricas e, em seguida, com maior preocupação ainda, destacando a variação do significado de termos constituintes daquelas linguagens. As filosofias realistas da ciência e seus oponentes enriqueceram enormemente o âmbito das filosofias linguísticas da ciência, mas, em contrapartida, enfraqueceram a análise das ciências em muitos outros aspectos. O minicurso terá como objetivo recolocar o problema da referência dos termos científicos de uma perspectiva mais abrangente e, por isso, sustentar que a referência desses termos pode ser estabelecida de maneira eficaz apenas num contexto pragmático, notavelmente mais amplo, de análise das ciências. Com esse objetivo, apresentaremos: a) uma exposição do estado do problema: assinalaremos de maneira breve as diferenças cruciais entre as teorias canônicas gerais da referência e o modo como elas se entrecruzam com algumas das teorias da referência dos termos científicos formuladas fundamentalmente por Philip Kitcher, Thomas S. Kuhn e, de outro modo, Robert Nola e Berent Enç. b) Proporemos, a partir das contribuições de J.J. Katz e em sintonia com Kent Bach, uma noção não-canônica de "sentido" a fim de reivindicar uma posição pragmática acerca da referência dos conceitos científicos. c) Para finalizar, analisaremos o célebre caso do "flogístico que falha ao se referir" a fim de mostrar o funcionamento dessa proposta pragmática.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Ficcionalismo e Naturalismo


Hartry Field, em Science Without Numbers (Princeton: Princeton UP, 1980), aceita que o melhor argumento em favor da existência dos objetos matemáticos é o argumento da indispensabilidade de Quine e Putnam. O argumento seria mais ou menos o seguinte:
(1) A matemática diz que há objetos matemáticos.
(2) A matemática é indispensável para a teoria científica T (ou seja, T é verdadeira apenas se o que a matemática diz for verdadeiro).
(3) T é verdadeira.
(4) Portanto, existem objetos matemáticos.
Segundo Field, se esse argumento falha, então temos boas razões para acreditar na inexistência de objetos matemáticos. Field questiona (2). Ele defende o que se chama ficcionalismo. Segundo o ficcionalismo, em princípio podemos fazer ciência sem usar matemática. Nós a usamos porque é útil como uma espécie de recurso simplificador das teorias que nos permite inferir afirmações não matemáticas de afirmações não matemáticas. Mas podemos fazer todas essas inferências, segundo Field, sem usar a matemática. Ele procura mostrar isso em detalhe no caso da teoria newtoniana da gravitação. Outros procuram fazer o mesmo no caso das teorias físicas atuais (cf. M. Balaguer. Platonism and Anti-Platonism in Mathematics. Oxford: OUP, 1998). Em suma, segundo Field, quando falamos sobre objetos matemáticos, falamos sobre o que não existe (sobre ficcções) como se existisse, como um auxílio dispensável para falar do que existe (os objetos físicos). Parece que se Field estiver correto, então a resposta correta à questão sobre a existência de objetos matemáticos não é dada nem pelos físicos e nem pelos matemáticos, mas por alguém que reflete sobre o que ambos fazem, o filósofo (que pode ser, mas não necessita ser, também matemático ou físico).

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Wittgenstein e as Ciências Sociais


Alguns costumam usar a filosofia da linguagem do Wittgenstein maduro para apoiar o que se costuma chamar de filosofia hermenêutica das ciências sociais ou interpretivismo, uma filosofia da ciência antinaturalista. Segundo o interpretivismo, os fatos sociais não podem ser conhecido apenas por meio de teorias naturalísticas, pois eles envolvem propósitos, valores e significado. Fatos sociais, portanto, são mais como livros que devem ser compreendidos e interpretados do que como fatos naturais.

Alguns interpretivistas alegam que a filosofia de Wittgenstein ajuda a mostrar que o significado não pode ser tratado naturalisticamente. Acho que isso é um erro. Essa interpretação de Wittgenstein envolve inferir invalidamente afirmações sobre as ciências sociais do que ele diz sobre a filosofia. Wittgenstein nunca negou a possibilidade de se fazer uma ciência natural sobre a linguagem. O que ele negava é que uma ciência natural da lingaugem fosse de interesse para a filosofia. Em filosofia, segundo Wittgenstein, dissolve-se problemas filosóficos por meio de uma descrição dos nossos jogos de linguagem. O objetivo é compreender mais claramente o que já compreendemos e não adquirir conhecimento que ainda não temos. Em várias passagens dos seus escritos Wittgenstein concede que se poderia buscar as causas de nosso comportamento linguísitico. Mas a filosofia, segundo ele, está interessada em razões, não em causas. Mas essas razões não servem para dizer que nossas práticas são as corretas (no mesmo sentido em que dizemos que um lance dentro dessas práticas é correto). Elas são razões dentro dessas práticas e, por isso, não podem apoiá-las de fora.

Acho que Wittgenstein diria que podemos fazer algo como compreender mais claramente nosso comportamento social, na medida em que ele é governado por regras. Mas essa é uma atividade puramente descritiva. Não há nenhuma teoria envolvida, nenhuma explicação. Por isso, acho que Wittgenstein não chamaria isso de ciência. Mas, sabe como é: "Diga o que quiseres, desde que isso não te impeça..." de ver as diferenças.