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terça-feira, 23 de junho de 2009
Medo da crítica
É incrível como algumas pessoas têm medo da crítica! Não consigo entender por que algumas delas ficam tão ofendidas com uma crítica sincera. Eu me sinto honrado em receber uma crítica. É sinal que meu trabalho não está tão ruim a ponto de ser ignorado. É claro que há maneiras agressivas de se fazer críticas, que devem ser evitadas. Mas há pessoas para as quais, não importa o quão gentil a crítica seja expressa, crítica é sempre algo ofensivo, uma expressão de um juízo sobre a pessoa criticada. São pessoas com um ego gigantesco, que só não é maior que sua insegurança em relação à qualidade do seu trabalho. Erros podem indicar que o trabalho é bom, pois alguns erros só podem ser cometidos por quem tem grande domínio sobre um assunto. Mas algumas pessoas querem ouvir apenas elogios.
domingo, 31 de maio de 2009
Entrevista com Timothy Williamson
Excelente entrevista de Timothy Williamson, relacionada às duas postagens anteiores. (Em Mente, Cérebro e Ciência, via Desidério Murcho, na Crítica)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Honestidade Intelectual

John Searle, em uma entrevista para Reason, diz:
Com Derrida, você dificilmente pode lê-lo mal, pois ele é muito obscuro. Toda vez que você diz "Ele disse isso e aquilo", ele sempre diz "Você me entendeu mal". Se você tentar formular a interpretação correta, então isso não é tão fácil. Eu uma vez disse isso a Michel Foucault, que era mais hostil a Derrida que eu, e Foucault disse que Derrida praticava o método do obscuratisme terroriste (obscurantismo terrorista). Falávamos francês e eu disse: "Que diabos vocês quer dizer com isso?". E ele disse: "Ele escreve tão obscuramente que você não pode saber o que ele está dizendo. Essa é a parte obscurantista. E quando então você o critica, ele pode sempre dizer: 'Você não me entendeu; você é um idiota.' Essa é a parte terrorista." E eu gostei disso. Eu então escrevi um artigo sobre Derrida. Perguntei a Michel se estava bem se eu citasse essa passagem, e ele disse que sim.
Se Searle está certo ou não sobre Derrida, não quero discutir. Não tenho mesmo como fazer isso, pois não conheço os textos de Derrida, para saber se ele realmente faz o que Searle o acusa de fazer. Mas uma coisa me parece certa: há muita gente que, na academia (as instituições de ensino superior), faz aquilo que Searle acusa Derrida de fazer. Pior que isso. Não é muito difícil encontrar (e já encontrei, infelizmente) alguém que, frente a um pedido de um argumento ou justificação para alguma afirmação nada óbvia, ou de um esclarecimento, de explicação do significado de alguns termos ambíguos usados em uma discussão, acuse a gente de estar tendo má-vontade. Essa reação é errada, é claro, porque imuniza da crítica aquele que assim reage. É como aquele que acusa o crítico da psicanálise de ter resistência psicológica a ela. Essa é uma atitude flagrantemente desonesta, imoral. É um sinal de covardia intelectual.
(Vale a pena ler toda a entrevista de Searle.)
Foto: John Searle
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Caridade interpretaiva
Postagem importante do Eros de Carvalho:
A paridade interpretativa, infelizmente, não é um valor universalmente compartilhado. Exige-se que realizemos o maior esforço interpretativo possível antes de dizer qualquer coisa sobre um filósofo renomado, mas as mesmas pessoas que fazem esta exigência não estão dispostas a despender o mesmo esforço ao discutir com os seus parceiros filosóficos menos renomados. (Discussão e paridade interpretativa, em Filosofemas.)
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