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domingo, 12 de abril de 2015

Centro silencioso


Teus olhos estão sempre a me perguntar
aquilo que só sei responder com beijos
E se os achares ambíguos, prestes atenção
no que diz meu peito encostado ao teu
Repares na direção para onde, incansáveis,
todos os meus gestos apontam
Lá onde está um futuro que se deixa ver
no centro silencioso em torno do qual gira
tudo que te sussurro.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Brincado à minha volta


Brincando à minha volta
Sorri um sorriso matreiro
Vai embora quando estou distraído
E volta quando menos espero

Às vezes traz uma flor miúda
Às vezes joga pedras
Toda atenção nunca lhe é suficiente
E promessas não sabe cumprir

Mas é encantado e sabe vencer
qualquer resistência, sempre fingida
Quem não se desarma
ao perceber seu próprio reflexo
nos olhos grandes do amor?

sábado, 1 de junho de 2013

A Tarde

Naquela tarde guardada,
de olhos cerrados e sorridentes,
com meus dedos,
te vi pela primeira vez

Teu hálito nu
me trouxe calor
abrandado pelo revoar
dos teus cilios
em meio a uma bruma azulada
de uma vergonha encantada

Teu cheiro de flor miúda
é agora, em minha lembrança,
mais real
e ainda mais real
em meus sonhos
sobre um futuro
em que aquela tarde
é toda uma vida

Agora eu sou assim
com toda aquela tarde em mim
com toda a luz que entrou por aquela janela
com todas as palavras ditas
com todos os desejos calados
com toda a escuridão daquela noite
seguida de aurora nenhuma
deixada depois que voltaste
para o sonho da vida lá fora
levando nos teus olhos e na tua boca
a luz dos meus dias.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Suspiro



Aquele suspiro,
que parecia infinito,
terminou
em um abrir os braços para
a vida,
pouco se importando
se a vida consentia,
ou se teimava
em ser
o que é,
à revelia do que
desejamos.

sábado, 15 de janeiro de 2011

In all senses

When I look around and see you
I see a future full of wonders
I see you
I see wonders
I see a future
I see all this
In all senses
of you
of wonders
of future
of seeing

domingo, 6 de dezembro de 2009

Palavras graves



Há momentos em que sou tomado por um desejo de dizer coisas graves.
É como se o momento pedisse um discurso.
E quase ouço o tilintar de um talher em um copo.
Agora esse desejo parece ridículo, pedante.
Mas no seu momento, ele parece ser provocado pela abertura de uma janela para a eternidade.
Sou atingido por ondas de uma explosão silenciosa,
Uma explosão de palavras.
Mas sei bem o que é esse desejo…
É só uma sublimação da impotência diante dos fatos,
O que nada mais é do que uma tentativa de fuga da finitude…
Um desfecho natural da percepção da finitude pode, então, ser… palavras.
Palavras graves… que docemente nos iludem
Que ao menos nossos pensamentos, se não nossas ações, atingem a eternidade,
E lá são livres de qualquer limite, felizes…
Como se pudéssemos ser felizes apenas pensando…
Mas logo meu corpo reclama atenção,
E despenco desse céu,
Com um suspiro de uma vida inteira.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um tempo que acabou




Quando a vida dá sinal que um tempo acabou,
é como se víssemos a linha da vida toda,
cheia de eventos para trás,
cheia de possibilidades para frente,
cheia de fantasmas e alegrias para trás,
cheia de medo e esperança para frente…
e a gente ali, un ponto, inextenso,
sem direção,
sem movimento,
um nada repleto de coisas.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

O espelho da finitude


Nas encruzilhadas da vida
a voz da eternidade fica mais perceptível.
Entretanto, não fica mais clara,
nem menos ambígua.
Mas fala através de todas as bocas,
de todas as coisas,
mesmo as mais quietas e discretas.
Às vezes parece caçoar da nossa angústia, quando,
em meio à agitação de uma novidade encantadora,
mostra tudo o que é possível,
sem, porém, ao menos dar pistas
do que é mais certo, do que gera menos dor.
A vertigem da eternidade
apresenta uma possibilidade descoberta
como uma fruta madura,
que chega na hora de uma fome de vida.
Mas provavelmente essa voz é apenas um eco
de um grito animal cheio de medo e desejo,
cheio do que pode e quer, mas tem medo de ser.

domingo, 24 de maio de 2009

Música e Finitude


Há certas músicas que reaparecem na nossa vida de tempos em tempos. E o fato de a cada aparição elas nos afetarem de modo distinto faz com que a gente perceba que o tempo passou... Músicas que outrora soavam grandiosas agora nos enchem de espanto: como isso pode parecer grandioso? E vice-versa: músicas que ridicularizávamos agora nos aparece grandiosas, cheias de sutilezas, tais que nos fazem pensar no quão insensíveis e preconceituosos éramos. E a vida em geral não é muito diferente: algumas pessoas soam diferentemente a cada época da nossa vida. Mas há músicas que nunca conseguimos apreciar, assim como há pessoas de cuja alma nunca conseguimos nos aproximar. E a vida vale a pena quando ouvimos aquela música eternamente cativante vindo dos corações que podemos ouvir bem de perto. É o som de um presente sem passado nem futuro.