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domingo, 6 de dezembro de 2009

Palavras graves



Há momentos em que sou tomado por um desejo de dizer coisas graves.
É como se o momento pedisse um discurso.
E quase ouço o tilintar de um talher em um copo.
Agora esse desejo parece ridículo, pedante.
Mas no seu momento, ele parece ser provocado pela abertura de uma janela para a eternidade.
Sou atingido por ondas de uma explosão silenciosa,
Uma explosão de palavras.
Mas sei bem o que é esse desejo…
É só uma sublimação da impotência diante dos fatos,
O que nada mais é do que uma tentativa de fuga da finitude…
Um desfecho natural da percepção da finitude pode, então, ser… palavras.
Palavras graves… que docemente nos iludem
Que ao menos nossos pensamentos, se não nossas ações, atingem a eternidade,
E lá são livres de qualquer limite, felizes…
Como se pudéssemos ser felizes apenas pensando…
Mas logo meu corpo reclama atenção,
E despenco desse céu,
Com um suspiro de uma vida inteira.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O espelho da finitude


Nas encruzilhadas da vida
a voz da eternidade fica mais perceptível.
Entretanto, não fica mais clara,
nem menos ambígua.
Mas fala através de todas as bocas,
de todas as coisas,
mesmo as mais quietas e discretas.
Às vezes parece caçoar da nossa angústia, quando,
em meio à agitação de uma novidade encantadora,
mostra tudo o que é possível,
sem, porém, ao menos dar pistas
do que é mais certo, do que gera menos dor.
A vertigem da eternidade
apresenta uma possibilidade descoberta
como uma fruta madura,
que chega na hora de uma fome de vida.
Mas provavelmente essa voz é apenas um eco
de um grito animal cheio de medo e desejo,
cheio do que pode e quer, mas tem medo de ser.

domingo, 24 de maio de 2009

Música e Finitude


Há certas músicas que reaparecem na nossa vida de tempos em tempos. E o fato de a cada aparição elas nos afetarem de modo distinto faz com que a gente perceba que o tempo passou... Músicas que outrora soavam grandiosas agora nos enchem de espanto: como isso pode parecer grandioso? E vice-versa: músicas que ridicularizávamos agora nos aparece grandiosas, cheias de sutilezas, tais que nos fazem pensar no quão insensíveis e preconceituosos éramos. E a vida em geral não é muito diferente: algumas pessoas soam diferentemente a cada época da nossa vida. Mas há músicas que nunca conseguimos apreciar, assim como há pessoas de cuja alma nunca conseguimos nos aproximar. E a vida vale a pena quando ouvimos aquela música eternamente cativante vindo dos corações que podemos ouvir bem de perto. É o som de um presente sem passado nem futuro.