
Esse é o resumo do texto que vou apresentar no XIV Encontro da Anpof:

O cético, ou ao menos um tipo de cético, pretende mostrar que não satisfazemos ao menos uma das condições necessárias para saber. Mas, para nos convencer, ele deve nos convencer que essas, sejam quais forem, são condições necessárias para saber. Ele deve nos convencer que o conteúdo do conceito de conhecimento contém essas condições. Uma estratégia para isso é examinar o nosso modo ordinário e/ou científico de usar o verbo "saber" e as demais palavras dessa família. Austin adota essa estratégia, não para defender o ceticismo, mas para atacá-lo. Criticando Austin, Stroud procura mostrar que é inválido inferir teses sobre o conteúdo do conceito de conhecimento de afirmações sobre nosso modo de uso do verbo "saber", pois os critérios desse uso frequentemente obedecem a objetivos práticos, a despeito dos nossos objetivos epistêmicos. Mas como Stroud pode justificar isso, dado que não está aberta para ele a possibilidade de apelar para o exame do nosso uso do verbo "saber"? Ele poderia dizer, embora de fato não diga, que há uma distinção entre usos práticos e epistêmicos de "saber". Mas como ele poderia justificar essa distinção? Parece que apenas se ele já tivesse conhecimento sobre quais são nossos objetivos epistêmicos, isto é, sobre quais são as condições a serem satisfeitas para que saibamos. E voltamos a estaca zero. De nada adianta dizer que, de acordo com a definição ordinária de conhecimento, nós conhecemos, mas que, de acordo com a definição filosófica, seja isso o que for, não conhecemos. Sem uma justificação de que a definição filosófica é, de algum modo, melhor, a discussão seria meramente verbal. E dada a conseqüência cética contra-intuiiva dessa definição filosófica, ela parece ser justamente pior. A discussão, obviamente, não encerra aqui. Mas para ela avançar, o cético precisa dizer como ele conhece o conteúdo do conceito de conhecimento, o que já parece paradoxal o suficiente...