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sexta-feira, 20 de abril de 2012

V Colóquio Internacional de Ética e Ética Aplicada - Sentimentos Morais


Data: 18 a 21 de junho de 2012
Local: Hotel Itaimbé (Rua Venâncio Aires, 2741, Centro), Santa Maria – RS
Fone: (55) 3222 0910
Email: vcoloquiodeeticaeeticaaplicada@gmail.com
Site: http://vcoloquioetica.wordpress.com/

Programação (Program)

SEGUNDA-FEIRA (Monday), 18/06/2012

8:30-9:30 — Abertura do evento (Opening)

9:30-10:30 — Conferência Plenária (Opening conference):
John Cottingham (University of Reading, UK) – Reason, the Emotions and the Good Life

11:00-12:00 — Palestra:
Luiz Eva (UFPR) – Montaigne on ataraxía
Debatedor (commentator): Lívia Guimarães

14:00-15:00 — Palestra:
André Klaudat (UFRGS) – Hume and Kant on value
Debatedor (commentator): Marco Azevedo (UNISINOS)

15:30-16:30 — Palestra:
Lívia Guimarães (UFMG) - Title to be confirmed
Debatedor (commentator): Flavio Williges (UFSM)

19:00-22:00 — Comunicações

TERÇA-FEIRA (Tuesday), 19/06/2012

9:30-10:30 — Conferência (Conference):
Michael Slote (University of Miami) – The importance of phenomenology

11:00-12:00 — Palestra:
Carlos Ferraz (UFPEL) – Kant and the moral sentiment
Debatedor (commentator): Christian Viktor Hamm (UFSM)

14:00-15:00 — Palestra:
Marco Azevedo (UNISINOS) – Hume on happiness and moral sentiments
Debatedor (commentator): André Klaudat (UFRGS)

15:30-16:30 — Palestra:
Jônadas Techio (UFRGS) – O papel da indignação moral de uma perspectiva perfeccionista / The role of moral indignation from a perfectionist perspective
Debatedor (commentator): Ricardo Bins di Napoli (UFSM)

17:00 — Sessão de autógrafos do livro “A dimensão Espiritual”, edições Loyola, com o Prof. John Cottingham

19:00-22:00 — Comunicações

QUARTA-FEIRA (Wednesday), 20/06/2012

9:30-10:30 — Conferência (Conference):
Wilson Mendonça (UFRJ) – É desejável restringir o poder dos sentimentos morais? / Is it desirable to restrict the power of moral sentiments?

10:30-12:00 — Palestra:
João Carlos Brum Torres (UCS/UFRGS) – Ética e Felicidade / Ethics and Happiness
Debatedor (commentator): César Schirmer dos Santos (UFSM)

14:00-15:00 — Palestra:
Frank Sautter (UFSM) – A metaética de Grice / Grice’s metaethics
Debatedor (commentator): Idia Laura Ferreira (UFRJ)

15:30-16:30 — Palestra:
Alcino Bonella (UFU) – Razões motivacionais e razões normativas / Motivational reasons and normative reasons
Debatedor (commentator): Helder Carvalho (UFPI)

17:00-18:00 — Palestra:
Adriano Naves de Britto (UNISINOS) – Behavior and Values: What Morality is for?
Debatedor (commentator): Denis Coitinho da Silveira

19:00-22:00 — Comunicações

QUINTA-FEIRA (Thursday), 21/06/2012

9:30-10:30 — Conferência (Conference):
Marina Oshana (University of California, Davis) – Shame, forgiviness and responsibility

11:00-12:00 — Palestra:
Leonardo Ribeiro (UFMG) – Sentimentalismo na metaética contemporânea / Sentimentalism in contemporary metaethics
Debatedor (commentator): Cinara Nahra (UFRN)

14:00-15:00 — Conferência de Encerramento (Closing conference):
David Copp (University of California, Davis) – Rationality and moral authority.

15:00-15:30 — Encerramento

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sentimento de culpa e moralidade



As seguintes frases têm um uso ordinário perfeitamente comum.

"Nossa! Agora percebi que o que eu fiz prejudicou meu amigo! Estou me sentindo culpado." "Esse cara é um mau caráter! Ele fez o que fez, sabe que prejudicou meio mundo e não se sente culpado."

Outro dia, me foi dito que o sentimento culpa era uma coisa em si mesma ruim, que não devíamos estimular as crianças a sentirem culpa, que era o produto do dogmatismo da religião judaico-cristã, etc., como se não houvesse nada de positivo a ser dito sobre o sentimento de culpa. Mas, se eu entendi bem o modo como essa tese estava sendo defendida, o que se estava argumentando era que sentir culpa por algumas coisas específicas era algo ruim, com o que eu concordo. Isso se podia ver pelos casos que eram apresentados como exemplos em que o sentimento de culpa era ruim, como o sentir-se culpado porque fez sexo fora do casamento (isto é, sem estar casado - não confundir com traição) e/ou para fins não reprodutivos. Mas é claro que o fato de ser errado sentir-se culpado num tal caso simplesmente não implica que seja errado sentir-se culpado em todos os casos. Mas por que se acredita que é errado sentir culpa num tal caso? Além disso, o que é o sentimento de culpa?

Acredita-se que é errado sentir-se culpado em um tal caso porque acredita-se que é inaceitável o dogma religioso segundo o qual o sexo fora do casamento e/ou para fins não reprodutivos é errado. Ou seja, acredita-se que é errado sentir-se culpado em um tal caso porque não se aceita o dogma religioso que se expressa na forma de uma norma de conduta. Mas isso não implica que aquele que rejeita o dogma não aceita nenhuma norma de conduta. Portanto, não há nenhuma contradição em rejeitar o dogma, achar que é errado sentir-se culpado por agir contra o dogma, e achar que é certo sentir-se culpado por agir contra as normas de conduta que se acredita serem aceitáveis, justificadas. Posso rejeitar o dogma e aceitar a norma que não devemos roubar, por exemplo. Se for assim, posso coerentemente tentar convencer uma pessoa a não se sentir culpada por ter feito sexo para fins não reprodutivos e repreendê-la por não se sentir culpada por roubar dinheiro de alguém.

O sentimento de culpa é um sentimento de reprovação que dirigimos a nós mesmo quando agimos contra uma norma que consideramos correta.[1][2] Essa norma pode ter uma origem religiosa, mas não necessariamente. Por isso, o sentimento de culpa pode estar ligado a uma norma religiosa, mas não necessariamente.

O sentimento de culpa desempenha um papel essencial na vida moral [3]. Em geral acreditamos que, para ter uma atitude moral aceitável, não basta que uma pessoa reconheça que é responsável pelo dano que causou a alguém (na suposição de que esse dano seja um mal). Por que? Porque se ela não se sentir culpada, no sentido descrito acima, isso significa que ela não acha a norma que ela infringiu correta, mas que age conforme a ela por mera conveniência estratégica: para não ser repreendida pelos outros. Significa, portanto, que ela não acredita que o dano que causou seja um mal. Além disso, o sentimento de culpa desempenha o papel que outra pessoa desempenharia (ou poderia desempenhar) se estivesse presente: repreender uma violação de uma norma moral. Ele serve para fornecer alguma garantia de que o agente vai seguir a norma moral, mesmo quando souber que uma violação não vai ser descoberta por outras pessoas. Ao pensar consigo mesmo "Por que não fazes isso? Ninguém vai ficar sabendo?", aquele que desenvolveu a capacidade de sentir culpa vai pensar "É, mas eu ficarei sabendo."[4] O uso da frase "Como você consegue dormir à noite?" é feito justamente quando suspeitamos que alguém não se sente culpado por ter feito algo, ou seja, não sente reprovação pelo que fez. Suspeitamos que a pessoa não se sente perturbada, desconfortável, com o pensamento de ter feito o que fez, mas, no máximo, com o pensamento de ser repreendida pelos outros.

É claro que há patologias psicológicas relacionadas ao sentimento de culpa. Assim como uma pessoa pode sentir dor por uma patologia do sistema nervoso, uma pessoa pode sentir culpa por uma patologia psicológica, não porque tenha feito alguma coisa errada. Mas o fato de existirem tais patologias não implica que o sentimento de culpa seja algo ruim, do mesmo modo como a patologia do sistema nervoso não implica que a dor seja algo ruim. A sensação de dor é algo ruim, mas ela tem uma função positiva: indicar um problema no organismo.

Alguém poderia concordar com minha análise e dizer que não chamaria esse sentimento moral de sentimento de culpa, pois culpa seria uma noção advinda da religião judaico-cristã, etc. Não vou entrar no mérito da questão histórica sobre a origem dessa noção. O fato é que usamos a palavra "culpa" para designar esse sentimento moral, como nas frases do início do texto, sem menção a dogmas religiosos. Portanto, há um uso moral, embora não-religioso, da palavra. Há também um uso jurídico do termo, que nada tem a ver com religião, mas que tampouco designa um sentimento. Mas se uma pessoa não gosta dessa palavra, não vou discutir por palavras.

_________

* Agradeço aos comentários de Flávio Williges, Eros Carvalho, César Schirmer e Laiz Fraga a uma primeira versão desse texto.

[1] Isso pode ocorrer conscientemente, como produto de uma reflexão complexa, ou inconscientemente, como produto de uma educação não refletida.

[2] Há diferença entre culpa, vergonha e arrependimento, pois posso ter vergonha ou estar arrependido sem sentir culpa. Mas não vou entrar nesse ponto aqui.

[3] Para uma excelente análise do papel do sentimento de culpa na moralidade, ver "Freedom and Resentment", de Peter F. Strawson. Meu texto tem forte inspiração nas idéias de Strawson.

[4] Não estou insinuando que todo aquele que sente culpa acompanha esse sentimento com um tal tipo de reflexão. Estou dizendo que quem faz tal tipo de reflexão é porque desenvolveu a capacidade de sentir culpa.

domingo, 17 de maio de 2009

Filosofia, sentimentos e imagens



A criação do homem, por Michelangelo.

Na postagem anterior eu disse que a "filosofia é tão difícil quanto qualquer outra atividade intelectual, embora sua dificuldade esteja ligada a aspectos que lhe são peculiares". Mas eu não quis dizer que a dificuldade da filosofia seja apenas intelectual, como se nenhum fator emocional interferisse no trabalho filosófico. Eu acredito que em boa parte dos casos, o que impede o tratamento satisfatório de um problema filosófico são certos sentimentos, principalmente desejos e temores associados a certas imagens que atuam nos bastidores das reflexões e discussões. Um exemplo disso, creio, é a imagem do ser humano como radicalmente diferente dos demais animais, como pertencente a uma categoria única. Não quero entrar no mérito da questão aqui, mesmo porque essa imagem é suficientemente vaga para que em algum modo de entendê-la ela seja aceitável. O que quero ressaltar é que (e aqui eu novamente concordo com Wittgenstein) ela pode estar por detrás da rejeição de qualquer descrição da diferença entre nós e os demais animais como sendo uma diferença apenas de grau. Isso, me parece, é o que ocorre na negativa de que animais possuam crenças ou pensem. Podemos dizer que animais crêem, diz-se (e se costuma colocar aspas em "crêem"), mas não no mesmo sentido que dizemos que nós cremos. Como disse, não quero entrar no mérito da questão. A última tese pode até estar correta. O ponto é que muitas vezes ela é defendida não porque é correta, ou não apenas por isso; mas porque ela se ajusta a uma imagem que expressa nossos desejos e temores. Nesse caso é o desejo de ser diferente dos demais animais, o medo de não ser especial. E não notar isso impede que o filósofo considere satisfatoriamente o que seu interlocutor está dizendo. E é difícil notar isso e deixar de se influenciar pelo caráter cativante dessas imagens, pois elas estão ligadas a maneiras muito gerais de se ver o mundo, a vida.

Esquema da origem do homem, segundo a Teoria da Evolução.