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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Wettstein, anti-fregeanos e Wittgenstein

Não é que Wittgenstein apresente toda sorte de opiniões características dos últimos anti-fregeanos. Seguramente não: nenhuma designação rígida, mundos possíveis ou proposições com objetos como constituintes. Nem devemos inferir [...] que Wittgenstein advogava a espécie de posição Milliana sobre os nomes que venho defendendo aqui. Talvez mais importante, a obra de Wittgenstein sugere um tratamento diferente da própria noção de referência.(1) Ainda, Wittgenstein não apenas antecipa aspectos importantes da última abordagem anti-fregeana, ele frequentemente fornece uma razão [rationale] mais profunda e satisfatória do que em obras recentes. E onde Wittgenstein nitidamente diverge dos anti-fregeanos, frequentemente me parece que Wittgenstein estava apontando para o caminho do avanço.
[...]
A convergência de opiniões para qual estou chamando atenção me parece quase universalmente não apreciada. Não é apreciada por simpatizantes de Wittgenstein, cuja visão é obscurecida pelos aspectos designação rígida/mundos possíveis/proposições singulares da literatura anti-fregeana. Não é apreciada pelos anti-fregeanos, que tendem a ver Wittgenstein algumas vezes como um arqui-anti-teórico que fica contente em deixar as coisas turvas, algumas vezes como uma espécie de teórico descritivista dos nomes próprios, um do tipo obscuro. Essa falta de reconhecimento do elo com Wittgenstein pelos anti-fregeanos tem sido particularmente custosa, pois tal reconhecimento pode ajudar a revelar as apostas muito altas que estão em jogo no seu próprio debate. Insuficientemente focados nessas grandes questões, anti-fregeanos frequentemente têm procedido como se seu projeto equivalece a o que John Perry [foto] uma vez chamou de uma revisão conservadora de Frege.
_____________
(1) Essa é uma promissória não resgatada no presente trabalho. Espero fazer isso em outro lugar. Uma versão breve: Wittgenstein se opõe à idéia que o conceito de referência constitui uma espécie de chave mestra da relação entre a linguagem e o mundo. Não há uma única relação desse tipo.
[Howard Wettstein, The Magic Prism, pp. 92-93]

Foto: John Perry

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Book Symposia sobre The Magic prism

No vol. 74, n. 3 de Philosophy and Phenomenological Research, foi publicado um Book Symposia sobre The magic Prism, de Howard Wettstein (ver penúltimo post para trás). Os artigos são:
Précis of The Magic Prism
HOWARD WETTSTEIN

Practicing Magic
RICHARD FUMERTON

'Weak and strong directness: reference and thought'
GENOVEVA MARTI

Empty Names: Communicative Value without Semantic Value
MARGA REIMER

The ‘Magic’ of Reference
BARRY STROUD

Response to Fumerton, Marti, Reimer and Stroud
HOWARD WETTSTEIN
A Blackwell está fornecendo acesso gratuito por tempo limitado a alguns números dessa revista.

domingo, 15 de julho de 2007

Dissolver paradoxos filosóficos

O que emergiu do meu estudo dos paradoxos [puzzles] não foi o que eu esperava ou procurava. Lutar com os paradoxos durante anos me levou a pensar que se alguém realmente realiza o tipo de mudança gestáltica que estou advogando - que se alguém, por exeplo, realmente começa a pensar que a referência não necessita de nenhuma mediação cognitiva -, os fenômenos que anteriormente pareciam paradoxais [puzzling] parecem muito diferentes. Eles se acomodam no seu lugar sem absolutamente nenhuma explicação especial. Assim, afinal, quero dissipar a sensação de que há fenômenos paradoxais aqui, coisas que não deveriam parecer como parecem ser, a sensação de que estamos encarando várias idéias que parecem ao mesmo tempo corretas e incompatíveis.

Para usar um jargão, minha consideração não procura fornecer uma solução para os paradoxos clássicos. Ela procura antes dissolvê-los. Falar sobre dissolver paradoxos tem uma ressonância wittgensteiniana. Eu certamente não me importo com isso. Ao mesmo tempo, é importante para mim que não me produz a dissolver paradoxos, a fornecer uma terapia wittgensteiniana. Tampouco minhas conclusões são uma questão de aplicar uma espécie de idéia ou técnica terapêutica geral. É melhor não abordar paradoxos, aqui ou em em outro lugar, com a idéia de que eles devem ser dissolvidos. A questão é como melhor - mais naturalmente - pensar sobre os fenômenos que se alega serem paradoxais. A dissolução, se e quando ela ocorrer, resulta no reconhecimento de que a cãibra intelectual não era intrínseca ao exemplo, mas foi o produto de suposições desnecessárias trazida a ele.

A tendência do pensamento de Wittgenstein é supor - gosto de pensar nisso como uma hipótese ou conjectura - que muitos dos, senão todos, paradoxos filosóficos clássicos são produtos de concepções inadequadas dos domínios relevantes, de suposições desnecessárias e enganadoras trazidas para os casos alegadamente paradoxais. Esse suposição, é desnecessário dizer, não encoraja ignorar os paradoxos, tomando-se uma atitude dispensadora. Paradoxos mostram-se cruciais, como Russell ensinou. Mas, contrário a Russell, eles não desempenham o papel de experimentos. Eles são antes sintomas que anunciam um quadro subjacente inadequado. A idéia não é deixar o quadro intocado e usar engenhosidade teórica para criar uma saída. O quadro subjacente é o que necessita nossa atenção.

-- H. Wettstein, The Magic Prism, pp. 16-17

Não pude deixar de citar essa passagem depois de relê-la. Wettstein é um bom exemplo, embora um tanto raro, de alguém que sofreu influência de Wittgenstein depois de ter se iniciado na filosofia em uma tradição de pensamento um tanto diferente. Hilary Putnam conta uma história semelhante envolvendo o Blue Book, de Wittgenstein.

sábado, 14 de julho de 2007

Wettstein e Wittgenstein


Muito do meu perfil atual reflete a profunda influência de Wittgenstein. Por anos eu evitei a obra de Wittgenstein quase que inteiramente. Eu era sistematicamente alérgico ao jargão e ao estilo de exposição idiosincrásicos, talvez indulgentes; não podia suportar falar sobre jogos de limguagem, formas de vida, significado como uso e o resto. Mas, como explico no capítulo 5, eventualmente fiz contato com Wittgenstein e a experiência foi transformadora. Wittgenstein me ajudou a entender mais profundamente o que eu achava problemático nos caminhos tradicionais da filosofia e especialmente da filosofia da linguagem. E o pensamento de Wittgenstein sugeriu caminhos para ir adiante.

-- Howard Wettstein, The Magic Prism (Oxford: OUP, 2004), p. 5.

Duas resenhas desse livro:

Hans-Johann Glock (Notre Dame Philosophical Review)

Barry Stroud

Agradeço ao Giovani por ter me sugerido a leitura desse livro. Em breve postarei comentários sobre ele.