Translate

Mostrando postagens com marcador Foulcaut. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Foulcaut. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de maio de 2010

John Searle e Michel Foucault: sobre a clareza

I had a friend visiting me who is not famous for clarity, Michel Foucault. [Risos na platéia.] One day I said to him: how can you write so badly? […] He said to me in French: "Look, if I wrote the way you do, as clearly as you do, nobody in Paris would take it seriously. [Risos na platéia.] They would think it is childish to try to write so clearly." Oh come on, you are pulling my leg! And he said: "No. In France you have to have at least ten percent that it is totally incomprehensible."
[Tradução:  Eu tinha a visita de um amigo que não é famoso pela clareza, Michael Foucault [Risos na platéia.] Um dia eu disse a ele: como você pode escrever tão mal? [...] Ele me disse em francês: "Olha, se eu escrevesse como você, tão claro quanto você escreve, ninguém em Paris levaria a sério. [Risos na platéia.] Eles pensariam que é infantil tentar escrever tão claramente." Ah pare, você está me zoando! E ele disse: "Não, na França você tem que ter ao menos dez porcento que é totalmente ininteligível."]

--John Searle

Ver a citação de Timothy Williamson no comentário de Eros de Carvalho.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Honestidade Intelectual

 
John Searle, em uma entrevista para Reason, diz:
Com Derrida, você dificilmente pode lê-lo mal, pois ele é muito obscuro. Toda vez que você diz "Ele disse isso e aquilo", ele sempre diz "Você me entendeu mal". Se você tentar formular a interpretação correta, então isso não é tão fácil. Eu uma vez disse isso a Michel Foucault, que era mais hostil a Derrida que eu, e Foucault disse que Derrida praticava o método do obscuratisme terroriste (obscurantismo terrorista). Falávamos francês e eu disse: "Que diabos vocês quer dizer com isso?". E ele disse: "Ele escreve tão obscuramente que você não pode saber o que ele está dizendo. Essa é a parte obscurantista. E quando então você o critica, ele pode sempre dizer: 'Você não me entendeu; você é um idiota.' Essa é a parte terrorista." E eu gostei disso. Eu então escrevi um artigo sobre Derrida. Perguntei a Michel se estava bem se eu citasse essa passagem, e ele disse que sim.
Se Searle está certo ou não sobre Derrida, não quero discutir. Não tenho mesmo como fazer isso, pois não conheço os textos de Derrida, para saber se ele realmente faz o que Searle o acusa de fazer. Mas uma coisa me parece certa: há muita gente que, na academia (as instituições de ensino superior), faz aquilo que Searle acusa Derrida de fazer. Pior que isso. Não é muito difícil encontrar (e já encontrei, infelizmente) alguém que, frente a um pedido de um argumento ou justificação para alguma afirmação nada óbvia, ou de um esclarecimento, de explicação do significado de alguns termos ambíguos usados em uma discussão, acuse a gente de estar tendo má-vontade. Essa reação é errada, é claro, porque imuniza da crítica aquele que assim reage. É como aquele que acusa o crítico da psicanálise de ter resistência psicológica a ela. Essa é uma atitude flagrantemente desonesta, imoral. É um sinal de covardia intelectual.

(Vale a pena ler toda a entrevista de Searle.)

Foto: John Searle