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sábado, 29 de setembro de 2007

Aula Magna do Curso de Filosofia na UNISC - Homenagem a João Carlos Brum Torres

Clique na imagem para ampliar.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

II Colóquio de Semântica e Filosofia da Lógica (UFG)


Comitê Organizador

André da Silva Porto (UFG)
Araceli Velloso (UFG)
Rogério Saucedo (UFG)

Comitê Científico
André da Silva Porto (UFG)
Luiz Carlos Pereira (PUC – RJ)
João Vergílio Cuter (USP)
Paulo Faria (UFRGS)

Patrocínio:

CAPES
CNPq

Realização:
Coordenadoria de Pós-Graduação em Filosofia – UFG
Departamento de Filosofia – UFG

Programação

Dia 24/09/2006 – Sala West – Auditório do Address Hotel Résidence

Chegada

20:00h - Abertura

Dia 25/08/2006 – Sala West – Auditório do Address Hotel Résidence

10:00h - Palestra de abertura do colóquio
Profº Dr. Paulo Faria (UFRGS)
Memória e comensurabilidade

12:00h - Almoço

14:30h - Profº Dr. João Vergílio Cuter (USP)
Interpretação e objetividade

15:30h - Coffe Break

16:00h - Profº Dr. Alexandre N. Machado (UFBA)
Deflacionismo e Realismo

Dia 26/09/2006 – Sala West – Auditório do Address Hotel Résidence

10:00h - Profº Dr. Abílio Rodrigues (PUC-RJ)
Truthmakers e descrições definidas

12:00h - Almoço

14:30h - Prof. Dr Rogério Severo
Existe uma incompatibilidade entre realismo e empirismo? O caso da filosofia de Quine

15:30 h - Coffe Break

16:00h - Profº Dr. Rogério Saucedo (UFG)
Identidade como regra de tradução

Dia 27/09/2006 – Sala West – Auditório do Address Hotel Résidence

10:00h - Profº Dr. Luiz Carlos Pereira (PUC – RJ)
Fragmentos Construtivos da Lógica Clássica

12:00h - Almoço

14:30h - Profº Dr. Abel Lassale (UFSM)
Geometria e normatividade

15:30h - Coffe Break

16:00h - Profº Dr. Wagner Sanz (UFG)
Argumento e Hipótese, O Problema dos Julgamentos Hipotéticos

Dia 28/09/2006 – Sala West – Auditório do Address Hotel Résidence

10:00h - Profª Dr.ª Araceli Velloso (UFG)
Identidade definicional e de conteúdo

11:00 h - Profº Dr. André Porto (UFG)
Identidade e Domínios

12:00h - Almoço

14:30h - Palestra de Encerramento
Profº Dr Marco Ruffino (UFRJ)
Indexicais e Necessidade

16:00h - Encerramento

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Lançamento do meu livro

Os Argumentos de Evans para seu Frege Russelliano


Eis como Geirsson reconstrói sumariamente os argumentos de Evans para a tese que o Frege maduro admitia proposições dependentes de objetos:

(1) O argumento dos modos de apresentação. Um modo de apresentação, de acordo com Frege, é associado a um nome dando a ele o seu sentido. Mas um modo de apresentação tem que ser uma apresentação de algo. No caso de termos vazios não há nenhum objeto denotado, portanto não há nenhum modo de apresentação. Portanto, nomes vazios não têm nenhum sentido.[1]

(2) O argumento da lacuna semântica [semantic gap]: Frege tentou construir uma teoria do significado de acordo com a qual o significado semântico do todo depende do significado semântico das suas partes. Mas termos vazios não contribuem com um valor semântico para as proposiçôes expressas por frases nas quais eles ocorrem. Portabto, há um grupo de frases às quais a tese de Frege que o valor semântico da frase é determinado pelo valor semântico das suas partes não se aplica. E essa posição, Evas sustenta, mal é inteligível (Evans, 1982, p. 22). E dado que deveríamos evitar atribuir uma interpretação que mal é inteligível a Frege quando uma interpretação "mais inteligível" está disponível, deveríamos adotar a interpretação "mais inteligível", a saber, a interpretação de Evans.

(3) O argumento da lacuna de valor de verdade. Frege sustentou a tese que a linguagem admite lacunas de valor de verdade, isto é, que há frases que, em virtude de conterem nomes vazios, não são nem verdadeiras, nem falsas. Se isso é assim, então considere a seguinte possibilidade. Suponha que haja uma linguagem científica que contenha um operador de negação, 'neg'. Se a linguagem contém uma sentença Fa, onde 'a' é um nome próprio vazio, que expressa um pensamento que não é verdadeiro, então não há nada que impeça 'neg Fa' de ser verdadeira. Mas dado que Frege aceitou o princípio que se uma frase S não tem valor de verdade, então nenhuma inclusão [embedding] de S pode ser verdadeira, ele necessita encontrar um modo de negar que 'Fa' é verdadeira, o que, de acordo com Evans, ele pode fazer apenas sob a interpretação de Evans. (Evans, 1982, p. 24)

(4) O argumento do Frege I maduro. Frege I [o Frege da Begriffsschrift] tinha uma teoria do significado madura e o Frege posterior deveria ser interpretado soba a luz dessa teoria do significado. Quando fazemos isso, temos que reconhecer que, dado que Frege I aceitou proposições dependentes de objetos, do mesmo modo o fez o Frege posterior.[2]
_______________
[1] Uma versão desse argumento pode ser encontrada em Evans, p. 22.
[2] David Bell [1990] apresenta a visão de Evans na forma de dez teses atribuidas a Frege, e sua discussão subsequente trata de dois dos argumentos apresentados aqui. Bell fornece evidência textual contra o argumento dos modos de apresentação, mas não consegue notar que Evans tem uma poderosa réplica que necessita ser tratada. Bell também trata da alegação de Evans que se a não existe então 'a é F' não tem significado. Aqui Bell também subestima os recursos de Evans, pois em acréscimo à evidência textual, Evans também se baseia em intuições pré-teóricas sobre como deveríamos ler sensatamente Frege.

Referências

Bell, D. 1990, “How Russellian was Frege”, Mind, pp. 267-277.
Evans, G. 1982, The Varieties of Reference, ed. J. McDowell, New York: Oxford University Press.
[Geirsson, 2002, pp. 305-6]
Geirsson, Heimir. 2002, "Frege and Object Dependent Propositions", Dialectica, vol. 56, n°4, pp. 299-314.

Em futuros posts, a crítica de Geirsson a esses argumentos.

Foto: Heimir Geirsson

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Evans: sobre Frege e os Scheingedanken


Gareth Evans (e John McDowell), em The Varieties of Reference e "Understanding Demonstratives", sustentou que na filosofia da linguagem do Frege maduro, e não apenas naquela contida na Begriffsschrift e em "Função e Conceito", havia espaço para proposições (pensamentos) dependentes de objetos (ou proposições russellianas, como algumas vezes são chamadas). Evans tem uma série de argumentos para apoiar essa interpretação. Heimir Geirsson, em um excelente artigo, "Frege and Object Dependent Propositions" (2002, Dialectica, vol. 56, n°4, pp. 299-314), procura mostrar que os argumentos de Evans não justificam sua interpretação e que essa interpretação está em franca contradição com algumas passagens dos escritos de Frege.

Uma proposição dependente de um objeto (PDO) é uma que não poderia existir se esse objeto não existisse. Esse é o caso de proposições cuja expressão envolve um nome próprio. A frase "Lula é o atual presidente do Brasil" expressa uma proposição sobre Lula. Alguns sustentam que essa proposição não existiria se Lula nunca tivesse existido. Portanto, segundo esses, essa é uma PDO. A frase "Guilherme Tell era um excelente arqueiro", por outro lado, segundo esses autores, não expressa uma proposição, pois "Guilherme Tell" é uma expressão vazia, não nomeia coisa alguma, pois Guilherme Tell nunca existiu. Essa frase, portanto, não expressa nada verdadeiro ou falso. (É claro que, dessa perspectiva, é problemático dizer que "Guilherme Tell" não nomeia nada porque Guilherme Tell nunca existiu. Se "Guilherme Tell era um excelente arqueiro" não expressa uma proposição porque "Guilherme Tell" não nomeia nada, então o mesmo acontece com "Guilherme Tell nunca existiu".) Segundo Evans, contrariamente à interpretação tradicional de Frege, a introdução da distinção entre sentido e referência por parte de Frege não permitiu que ele abandonasse a crença que uma frase que contém um nome próprio (excluindo-se ai os contextos intensionais) expressa uma PDO, quando expressa alguma proposição, e que não expressa nenhuma proposição quando o referido nome é vazio. Os argumentos de Evans se baseiam em boa medida no principio de caridade. Todavia, eu tendo a concordar com as objeções de Geirsson, principalmente quando ele aponta para a dificuldade de se conciliar a interpretação de Evans com o que Frege diz explicitamente em algumas passagens. Sendo assim, creio que um Scheingedanke, para Frege, não é um pseudo-pensamento, mas um pensamento defeituoso, sem valor de verdade.

Foto: Gareth Evans