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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A prudência na Ética Nicomaquéia de Aristóteles


Foi publicado o livro A prudência na Ética Nicomaquéia de Aristóteles, de Priscilla Tesch Spinelli (2007, Editora Unisinos). Trata-se da dissertação de Mestrado de Priscilla, que foi premiada pela Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF) como a melhor dissertação de Mestrado do Brasil defendida em 2005. A obra encontra-se disponível no catálogo online da editora.

Detalhes retirados do site da editora

Páginas: 189
Formato: 15,5 x 24 cm
ISBN: 9788574312958
Preço: R$ 24,00

Resumo da obra: Este livro apresenta a prudência conforme ela figura na Ética Nicomaquéia de Aristóteles. Visa a examinar o papel que a prudência desempenha, segundo Aristóteles, na EN, observando suas funções tendo em vista a boa vida ou felicidade. A autora tenta extrair as conseqüências da relação intrínseca existente entre prudência e virtude moral – a tese da unidade de uma conexão forte entre virtudes morais naquele que é prudente.

Sumário: Introdução. Eudaimonia e bem supremo na EN. Função própria e virtude moral. A prudência na EN VI – Deliberação e escolha. A prudência na EN VI – Uma análise de VI 9: A boa deliberação. A prudência na EN VI – Conhecimento prático. Conclusão.

Sobre a autora: Priscilla Tesch Spinelli é bacharela, licenciada, mestre e doutoranda em Filosofia pela UFRGS.

Wettstein, anti-fregeanos e Wittgenstein

Não é que Wittgenstein apresente toda sorte de opiniões características dos últimos anti-fregeanos. Seguramente não: nenhuma designação rígida, mundos possíveis ou proposições com objetos como constituintes. Nem devemos inferir [...] que Wittgenstein advogava a espécie de posição Milliana sobre os nomes que venho defendendo aqui. Talvez mais importante, a obra de Wittgenstein sugere um tratamento diferente da própria noção de referência.(1) Ainda, Wittgenstein não apenas antecipa aspectos importantes da última abordagem anti-fregeana, ele frequentemente fornece uma razão [rationale] mais profunda e satisfatória do que em obras recentes. E onde Wittgenstein nitidamente diverge dos anti-fregeanos, frequentemente me parece que Wittgenstein estava apontando para o caminho do avanço.
[...]
A convergência de opiniões para qual estou chamando atenção me parece quase universalmente não apreciada. Não é apreciada por simpatizantes de Wittgenstein, cuja visão é obscurecida pelos aspectos designação rígida/mundos possíveis/proposições singulares da literatura anti-fregeana. Não é apreciada pelos anti-fregeanos, que tendem a ver Wittgenstein algumas vezes como um arqui-anti-teórico que fica contente em deixar as coisas turvas, algumas vezes como uma espécie de teórico descritivista dos nomes próprios, um do tipo obscuro. Essa falta de reconhecimento do elo com Wittgenstein pelos anti-fregeanos tem sido particularmente custosa, pois tal reconhecimento pode ajudar a revelar as apostas muito altas que estão em jogo no seu próprio debate. Insuficientemente focados nessas grandes questões, anti-fregeanos frequentemente têm procedido como se seu projeto equivalece a o que John Perry [foto] uma vez chamou de uma revisão conservadora de Frege.
_____________
(1) Essa é uma promissória não resgatada no presente trabalho. Espero fazer isso em outro lugar. Uma versão breve: Wittgenstein se opõe à idéia que o conceito de referência constitui uma espécie de chave mestra da relação entre a linguagem e o mundo. Não há uma única relação desse tipo.
[Howard Wettstein, The Magic Prism, pp. 92-93]

Foto: John Perry

sábado, 25 de agosto de 2007

Quine e a distinção De Re/De Dicto

Quine (em 1956) acreditava que a interpretação de re da frase (1)

(1) João acredita que alguém é espião.
implica contradição. A interpretação de re de (1) pode ser formulada assim:
(2) Alguém é tal que João acredita que ele é um espião. [Existe um x(João acredita que x é um espião)]
A frase (2) diz de um determinado indivíduo que ele tem a propriedade de ser considerado espião por João. A interpretação de dicto pode ser formulada assim:
(3) João acredita que há espiões. [João acredita que existe um x(x é um espião)]
A frase (3) não diz de um determinado indivíduo que ele tem a propriedade de considerado espião por João. Intuitivamente, perece correto afirmar que (3) pode ser verdadeira e (2) falsa. Se o indivíduo em questão for Pedro, João pode acreditar que há espiões e não acreditar que Pedro seja um espião. De acordo com a interpretação padrão dos quantificadores, a interpretação objetual, a frase (2) requer que a frase aberta “João acredita que x é um espião” seja verdadeira de um indivíduo, independentemente do modo como esse indivíduo é designado. Quine acreditou que isso não é possível. Suponhamos que João saiba que Pedro é o prefeito da cidade e acredite que o prefeito da cidade não seja espião. Agora suponhamos que Pedro esteja próximo de João, no escuro, de tal forma que João não saiba quem está lá e suspeite que se trata de um espião. Nesse caso, a frase (4)
(4) João acredita que ele [apontando para o homem no escuro] é um espião.
é verdadeira e a frase (5)
(5) João acredita que o prefeito é um espião.
é falsa. Mas, se isso é o caso, então é porque em (4) Pedro é designado por meio de “ele [apontando para o homem no escuro]” e em (5) ele é designado por “o prefeito”. Logo, a frase aberta “João acredita que x é um espião” não é verdadeira de Pedro independentemente do modo como Pedro é designado por João. Ela é verdadeira quando o argumento é “ele [apontando para o homem no escuro]”, mas é falsa quando o argumento é “o prefeito”. Portanto, (2) é uma frase absurda.

Todavia, Quine não achou que esse argumento fosse um apoio à crença na existência de entidades intensionais, as “criaturas da escuridão” (p. 357). Ao invés de falar de proposições acreditadas, deveríamos falar de frases consideradas verdadeiras. O problema é que isso parece impedir a atribuição de atitudes proposicionais a animais que não possuem linguagem, na medida em que a atitude proposicional parece ser com relação a frases. A solução que ele dá para esse problema é, no mínimo, estranha:

Podemos tratar o medo do camundongo como o medo de que uma certa frase do português seja verdadeira. Isso não é natural sem ser, por isso, errado. É um pouco como descrever a corrente oceânica pré-histórica como anti-horária. [p. 360]
Isso parece estranho porque parece implicar que o camundongo pode temer que uma frase do português seja verdadeira mesmo que o português, ou qualquer outra linguagem, não exista no mesmo tempo em que o camundongo existe. Todavia, não é estranho que a corrente oceânica gire no sentido anti-horário mesmo que nenhum relógio exista no tempo em que isso ocorre.

Referências

Quine, W.V. (1956). “Quantifiers and propositional attitudes”. in: MARTINICH, A.P. (ed.). (2001). The Philosophy of Language. 4ª edição. Oxford: Oxford University Press, pp. 355-60.

McKAY, T. & Nelson, M. (2005). “Propositional attitude reports”. Stanford Encyclopedia of Philosophy.

domingo, 19 de agosto de 2007

Novos blogs e sites de professores da UFG

Meu amigo e ex colega de graduação, Rogério Saucedo Corrêa, atualmente professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Goiás, criou um blog: AtividadePhilosophica.

André Porto, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Goiás, possui um site em que disponibiliza alguns textos online, inclusive sua dissertação de mestrado e sua tese de doutorado sobre a filosofia da matemática de Wittgenstein.

Araceli Velloso, professora do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Goiás, possui um site em que disponibiliza alguns textos online, inclusive sua tese de doutorado sobre Quine.

Balthazar Barbosa Filho


É com profunda tristeza que comunico o falecimento do professor Balthazar Barbosa Filho, ocorrido no último sábado (18/08), em Porto Alegre. Tive a felicidade de ter sido aluno do professor Balthazar na pós-graduação. Seu rigor, precisão e clareza me impressionaram profundamente desde os primeiros contatos e, desde então, sempre me serviram de modelo e inspiração. Sua capacidade de apresentar gentilmente uma crítica devastadora também era notável. Experimentei um pouco disso na defesa da minha dissertação de mestrado, de cuja banca ele fez parte. Mas ele também sabia como poucos estimular um trabalho que ele julgava promissor. Alguns de seus debates públicos com outros colegas que tive a oportunidade de testemunhar foram raras demosntrações de uma invejável capacidade argumentativa. É uma perda irreparável. Ele deixa uma grande lacuna na nossa vida acadêmica e muita saudade.

Foto retirada do blog da Katarina.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Lógica e Forma de Vida


Finalmente, meu livro sobre Wittgenstein foi publicado: Lógica e Forma de Vida: Wittgenstein e a Natureza da Necessidade Lógica e da Filosofia (São Leopoldo: Editora da Unisinos, 2007, 486p.). Trata-se da minha tese de doutorado, defendida em 2004 no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e orientada pelo Prof. Dr. Paulo F.E. Faria. A tese recebeu o Prêmio de Melhor Tese de Doutorado de 2004 da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF). Como sempre, comentários e críticas são muito bem-vindos. O Faria escreveu umas palavras gentis na orelha do livro; exageradas, como sempre são as palavras amigas:
Este livro (premiado pela Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia como a melhor tese de doutorado defendida no Brasil em 2004) guia o leitor através do complicado itinerário filosófico de Ludwig Wittgenstein – dos aforismos sibilinos do Tractatus Logico-Philosophicus sobre ‘essência do mundo’ e os ‘limites da linguagem’, em que os problemas filosóficos teriam encontrado sua solução definitiva, à ‘quieta pesagem de fatos lingüísticos’ que veio suceder àquele projeto apocalíptico. Passo a passo, com perícia e clareza exemplares, Alexandre Machado deslinda a peripécia que se consuma na transfiguração na filosofia de Wittgenstein.

A dificuldade dessa tarefa, e o mérito de tê-la executado com sucesso, medem-se pela distância que separa o perfil de Wittgenstein que emerge deste livro da imagem de um filósofo que teria legado ao mundo ‘duas filosofias diversas, das quais a primeira não pode ser considerada como uma continuação da segunda’ (como escreveu, representativamente, Wolfgang Stegmüller). Em outras palavras, é a continuidade no pensamento de Wittgenstein – a necessidade interna com que a filosofia do Tractatus deu origem àquela que Wittgenstein passou a desenvolver a partir de 1929 – que, pela primeira vez entre nós, este livro explica.

Essa tarefa não poderia ter sido levada a cabo com sucesso se duas condições não estivessem satisfeitas. A primeira é a familiaridade com o corpus labiríntico dos escritos de Wittgenstein, que Alexandre Machado atesta conhecer como a palma da mão. A segunda é a habilidade de identificar, no emaranhado de temas e problemas, e através das mudanças de método, léxico e interesses que formam esse labirinto, um fio da meada. Alexandre Machado identifica, certeiramente, esse fio da meada (e, com ele , a via de acesso à compreensão da unidade do pensamento de Wittgenstein) na reconsideração das relações entre ter uma proposição sentido e ser alguma proposição verdadeira – relações que para Wittgenstein permaneceram, ao longo de todo o seu itinerário filosófico, a chave para elucidar a natureza da necessidade lógica – e com ela, a da própria filosofia. O resultado desse percurso orientado do labirinto wittgensteiniano é o livro admirável que o leitor tem entre as mãos.

Prof. Dr. Paulo Faria
(Veja aqui uma lista de livrarias virtuais em que o livro é vendido.)

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Book Symposia sobre The Magic prism

No vol. 74, n. 3 de Philosophy and Phenomenological Research, foi publicado um Book Symposia sobre The magic Prism, de Howard Wettstein (ver penúltimo post para trás). Os artigos são:
Précis of The Magic Prism
HOWARD WETTSTEIN

Practicing Magic
RICHARD FUMERTON

'Weak and strong directness: reference and thought'
GENOVEVA MARTI

Empty Names: Communicative Value without Semantic Value
MARGA REIMER

The ‘Magic’ of Reference
BARRY STROUD

Response to Fumerton, Marti, Reimer and Stroud
HOWARD WETTSTEIN
A Blackwell está fornecendo acesso gratuito por tempo limitado a alguns números dessa revista.