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quarta-feira, 18 de julho de 2007

Ensaios sobre o Ceticismo


Saiu a coletânea de artigos apresentados no XI Encontro Nacional Sobre Ceticismo, realizado em maio de 2006, em Salvador: Smith, P.J. & Silva Filho, W. (org.) Ensaios sobre o Ceticismo (São Paulo: Alameda, 2007). Minha modesta contribuição foi o artigo "Wittgenstein e o Externalismo", que está disponível aqui. Comentários e críticas são bem-vindos. (Clique aqui para ver algumas fotos do evento.)

Índice:
Introdução
Plínio Junqueira Smith & Waldomiro Silva Filho

Empirismo e Ceticismo,
Oswaldo Porchat

Ceticismo e Empirismo
Roberto Bonzani Filho

Hesitações Filosóficas
Plínio Junqueira Smith

Ateísmo e Ceticismo no Theophrastus redivivus
Sébastien Charles

O primeiro Ateu: a propósito do ateísmo e do ceticismo no Theophrastus redivivus
Paulo Jonas de Lima Piva

A Presença do Ceticismo na Filosofia do Jovem Hegel
Luiz Fernando Martin

Marx e o Ceticismo
Mauro Castelo Branco de Moura

Wittgenstein e o Externalismo
Alexandre N. Machado

Externalismo, Auto-conhecimento e Ceticismo
Waldomiro Silva Filho

O Pensamento sem Luz Própria (paradoxo de Moore e anti-luminosidade)
Hilan Bensusan

Prova, Ceticismo e Conhecimento
Edurado Alejandro Barrio

Política e Ceticismo
Cicero Romão de Araújo

Press Release

por Danilo Marcondes (PUC, RJ)
A tradição do ceticismo
Livro apresenta um dos debates filosóficos mais férteis da atualidade

A filosofia cética surgida no contexto do Helenismo formulou problemas e propôs um modo de filosofar que influenciaram decisivamente a tradição filosófica desde aqueles que a retomaram e visaram levá-la adiante, até os que pretenderam refutá-la ou superá-la. Ensaios sobre o Ceticismo reúne treze textos que trazem a marca de um dos debates filosóficos mais férteis em nosso contexto, entre um grupo de pesquisadores e professores de filosofia que vêm se dedicando ao estudo e à discussão de questões relacionadas à filosofia cética já há vários anos de forma extremamente produtiva.

Os textos incluem não só análises históricas e conceituais de alguns dos temas mais importantes do ceticismo antigo e moderno, mas também algumas das questões mais importantes do debate filosófico contemporâneo em epistemologia, filosofia da mente e filosofia da linguagem, como o problema do externalismo, a relação entre filosofia e experiência comum, a questão da representação lingüística e conceitual da realidade.

Ceticismo e empirismo, a possibilidade do conhecimento científico, filosofia e vida comum, o sentido da experiência humana, são alguns dos temas tratados aqui em perspectivas que variam, mas que resultam da inspiração cética. Da história da filosofia à ética contemporânea isso nos revela a originalidade do modo de filosofar cético e a relevância de seu legado.

domingo, 15 de julho de 2007

Dissolver paradoxos filosóficos

O que emergiu do meu estudo dos paradoxos [puzzles] não foi o que eu esperava ou procurava. Lutar com os paradoxos durante anos me levou a pensar que se alguém realmente realiza o tipo de mudança gestáltica que estou advogando - que se alguém, por exeplo, realmente começa a pensar que a referência não necessita de nenhuma mediação cognitiva -, os fenômenos que anteriormente pareciam paradoxais [puzzling] parecem muito diferentes. Eles se acomodam no seu lugar sem absolutamente nenhuma explicação especial. Assim, afinal, quero dissipar a sensação de que há fenômenos paradoxais aqui, coisas que não deveriam parecer como parecem ser, a sensação de que estamos encarando várias idéias que parecem ao mesmo tempo corretas e incompatíveis.

Para usar um jargão, minha consideração não procura fornecer uma solução para os paradoxos clássicos. Ela procura antes dissolvê-los. Falar sobre dissolver paradoxos tem uma ressonância wittgensteiniana. Eu certamente não me importo com isso. Ao mesmo tempo, é importante para mim que não me produz a dissolver paradoxos, a fornecer uma terapia wittgensteiniana. Tampouco minhas conclusões são uma questão de aplicar uma espécie de idéia ou técnica terapêutica geral. É melhor não abordar paradoxos, aqui ou em em outro lugar, com a idéia de que eles devem ser dissolvidos. A questão é como melhor - mais naturalmente - pensar sobre os fenômenos que se alega serem paradoxais. A dissolução, se e quando ela ocorrer, resulta no reconhecimento de que a cãibra intelectual não era intrínseca ao exemplo, mas foi o produto de suposições desnecessárias trazida a ele.

A tendência do pensamento de Wittgenstein é supor - gosto de pensar nisso como uma hipótese ou conjectura - que muitos dos, senão todos, paradoxos filosóficos clássicos são produtos de concepções inadequadas dos domínios relevantes, de suposições desnecessárias e enganadoras trazidas para os casos alegadamente paradoxais. Esse suposição, é desnecessário dizer, não encoraja ignorar os paradoxos, tomando-se uma atitude dispensadora. Paradoxos mostram-se cruciais, como Russell ensinou. Mas, contrário a Russell, eles não desempenham o papel de experimentos. Eles são antes sintomas que anunciam um quadro subjacente inadequado. A idéia não é deixar o quadro intocado e usar engenhosidade teórica para criar uma saída. O quadro subjacente é o que necessita nossa atenção.

-- H. Wettstein, The Magic Prism, pp. 16-17

Não pude deixar de citar essa passagem depois de relê-la. Wettstein é um bom exemplo, embora um tanto raro, de alguém que sofreu influência de Wittgenstein depois de ter se iniciado na filosofia em uma tradição de pensamento um tanto diferente. Hilary Putnam conta uma história semelhante envolvendo o Blue Book, de Wittgenstein.

sábado, 14 de julho de 2007

Wettstein e Wittgenstein


Muito do meu perfil atual reflete a profunda influência de Wittgenstein. Por anos eu evitei a obra de Wittgenstein quase que inteiramente. Eu era sistematicamente alérgico ao jargão e ao estilo de exposição idiosincrásicos, talvez indulgentes; não podia suportar falar sobre jogos de limguagem, formas de vida, significado como uso e o resto. Mas, como explico no capítulo 5, eventualmente fiz contato com Wittgenstein e a experiência foi transformadora. Wittgenstein me ajudou a entender mais profundamente o que eu achava problemático nos caminhos tradicionais da filosofia e especialmente da filosofia da linguagem. E o pensamento de Wittgenstein sugeriu caminhos para ir adiante.

-- Howard Wettstein, The Magic Prism (Oxford: OUP, 2004), p. 5.

Duas resenhas desse livro:

Hans-Johann Glock (Notre Dame Philosophical Review)

Barry Stroud

Agradeço ao Giovani por ter me sugerido a leitura desse livro. Em breve postarei comentários sobre ele.